As voltas que o mundo (da bola) dá

As voltas que o mundo (da bola) dá

Em menos de duas horas, notícias sobre Zidane e Guerrero chamaram a atenção do planeta. O primeiro deu adeus ao Real Madrid. O segundo conseguiu que tribunal permitisse sua ida à Copa da Rússia

postado em 01/06/2018 00:00
 (foto: Ernesto Benavides/AFP - 8/10/16)
(foto: Ernesto Benavides/AFP - 8/10/16)



Às vésperas de uma Copa do Mundo, notícias sobre contusões ou transações entre times não são raras. Para comover a bilionária e fanática comunidade do futebol é preciso histórias dramáticas. Pois duas informações, com diferenças de cerca de duas horas, no início da quinta-feira, fizeram isso. Zinedine Zidane e Paolo Guerrero se tornaram personagens, cada um por um motivo. O francês surpreendeu ao anunciar que estava deixando o comando do Real Madrid, poucos dias depois de conquistar a Liga dos Campeões da Europa. Segundo bastidores, ele está de olho no cargo de técnico da seleção francesa ; Didier Deschamps sairia com qualquer resultado na Rússia. A notícia do peruano também tem ligação com o Mundial: ele conseguiu na Justiça da Suíça um efeito suspensivo que o coloca na competição, que começa daqui a duas semanas. Antes, a Corte Arbitral do Esporte havia condenado o jogador a 14 meses de punição por uso de substância proibida. Aos 34 anos, a oportunidade de Guerrero disputar uma Copa do Mundo era única, tanto por causa da idade como pelo histórico do Peru no torneio ; há 36 anos, a seleção não participa do evento. Aliás, o segundo jogo do time será, coincidentemente, contra a França. Nas histórias de Zidane e Guerrero, a realização de sonhos encontra a chance de superar desafios. Coisas que o mundo da bola proporciona.



A esperança que não morre


;Já não há limites;, escreveu Paolo Guerrero, em nota, após saber que poderia jogar a Copa do Mundo da Rússia. A felicidade do peruano está clara em cada linha da declaração, depois que o Tribunal Federal da Suíça concedeu efeito suspensivo à decisão anterior que havia ampliado para 14 meses a sanção ao jogador. O atacante havia sido suspenso pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), depois de conseguir uma redução importante da pena.

A punição original por suposto uso de doping (benzoilecgonina, um metabólito da cocaína) era de um ano, o que o deixava de fora do Mundial de 2018. Entretanto, depois de um recurso na própria Fifa, a pena caiu para seis meses e terminava em maio, permitindo que o jogador pudesse ir ao Mundial. Num recurso apresentado pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), a CAS reverteu a decisão da Fifa e aplicou uma suspensão de até 14 meses, que o tiraria da Copa.

A última cartada era sair dos tribunais esportivos e levar o caso à corte comum, na Suíça. Guerrero, assim, solicitou que o seu caso fosse tratado apenas depois do Mundial, o que acabou também sendo aceito pela CAS. Num comunicado emitido em Lausanne, o presidente do Tribunal Federal informou que ;concede efeito suspensivo a título provisório ao recurso apresentado por Paolo Guerrero contra a sentença do CAS;. ;Como consequência, Guerrero poderá participar da Copa do Mundo na Rússia;.

Reviravoltas
O caso do jogador ; que ainda pertence ao Flamengo, mas está com o contrato suspenso ; mobilizou até a Presidência peruana. Por isso, a nota de Guerrero é de agradecimento. ;Eu me junto à minha seleção e a meus companheiros e eu me comprometo a dar o maior dos meus esforços para proporcionar novas e maiores alegrias ao meu país. Já não há limites. Não há sonhos impossíveis, porque está demonstrado que quando os peruanos se unem, tudo é possível;, diz a última parte.

Assim, Paolo Guerrero deverá estar presente com o Peru na Rússia. O time enfrentará a Dinamarca, em 16 de junho, a França, no dia 21, e a Austrália, no dia 26.



;Já não há limites. Não há sonhos impossíveis, porque está demonstrado que quando os peruanos se unem, tudo é possível;
Paolo Guerrero, atacante peruano



A necessidade de mudança

;Tomei a decisão de não continuar;, explicou Zinedine Zidane, em uma entrevista coletiva, ao anunciar que não será mais técnico do Real Madrid. A notícia surpreendente ocorre menos de uma semana depois de conquistar a terceira Liga dos Campeões consecutiva no comando do clube espanhol. Ao lado do francês, o presidente do time, Florentino Pérez, afirmou que a foi ;totalmente inesperada; e que este era um ;dia triste;.

;Esta equipe deve seguir ganhando e precisa de uma mudança para isto. Depois de três anos, (o time) precisa de outro discurso, outra metodologia de trabalho e, por isso, tomei esta decisão;, analisou o francês. Zidane comunicou a decisão na quarta-feira ao presidente do clube e conversou com o capitão Sergio Ramos antes de anunciar oficialmente. E deixou claro: não procura outro clube para a próxima temporada. ;Como jogador e agora como treinador, decidiu se despedir no topo. Você sai, mas seu legado e sua história são inapagáveis. Um dos capítulos mais vitoriosos da história do nosso querido Real Madrid;, tuitou Sergio Ramos.

Aos 45 anos, o ex-jogador assumiu o comando do clube merengue no início de 2016 e, apesar de ser a primeira experiência dele como técnico profissional, Zidane liderou o Real Madrid em seu ciclo mais vitorioso das últimas décadas. No sábado passado, o francês entrou para a história do futebol europeu ao se tornar o primeiro treinador a conquistar três Ligas dos Campeões consecutivas após a vitória do Real Madrid sobre o Liverpool por 3 x 1.

Em duas temporadas e meia, o francês conquistou nove títulos: três Ligas dos Campeões, uma Liga Espanhola, dois Mundiais de Clubes, duas Supercopas da Europa e uma Supercopa da Espanha. Foram 149 partidas, com 104 vitórias, 29 empates e apenas 16 derrotas ; aproveitamento de 69,80%. Zidane foi o único treinador da era Florentino Pérez que pediu demissão, em vez de ser demitido. ;Há momentos duros na temporada, isto faz você refletir;, afirmou Zidane.

Seleção

Na França, começam a vislumbrar Zizou como comandante da seleção no futuro. O atual treinador dos Bleus, Didier Deschamps, tem contrato até 2020, mas nos bastidores a certeza é de que o comandante sairá qualquer que seja o resultado na Rússia. E o próprio presidente da Federação Francesa, No;l Le Gra;t, tem Zidane na cabeça. ;Seria uma continuação lógica. É provável que, um dia, ele tenha esta ambição;, disse Gra;t, em junho de 2017. Deschamps pensa parecido. ;Não posso dizer, mas me parece lógico;, afirmou.



;Depois de três anos, (o time) precisa de outro discurso, outra metodologia de trabalho e, por isso, tomei esta decisão;
Zinedine Zidane, ex-técnico do Real Madrid

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