Jovens madrugam pela fé

Jovens madrugam pela fé

Luiz Calcagno
postado em 01/06/2018 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

Um mês de planejamento, reuniões e cronogramas. Acertar quem vai de carro e dividir as caronas. Tudo isso para no dia, em meio à crise de desabastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros, sair de casa mais cedo, com um frio de 11;C ou menos, levando baldes, caixas e mochilas e pegar um ônibus com os amigos. Mas as adversidades pareciam diversão, e nenhum imprevisto foi capaz de barrar os jovens católicos que participaram da confecção do tradicional tapete de serragem colorida, na Esplanada dos Ministérios, para marcar a celebração de Corpus Christi e embelezar a procissão da Eucaristia.

A maior parte dos grupos chegou por volta de 7h. Às 8h, sob o gramado central, na altura da Catedral Metropolitana de Brasília, em vez dos desenhos, o trajeto do tapete estava marcado por um plástico de cor escura, enquanto alguns dos participantes espalhavam e nivelavam a areia sobre a cobertura. Cerca de uma hora e meia depois, os desenhos, alguns feitos diretamente na terra e outros em papéis ou em TNT, começavam a tomar formas e, até, cores. Bem ao lado, outros trabalhavam pintando a serragem, colorindo as mãos com a tinta à base d;água em baldes e sorrindo.

E no meio de uma bagunça de cores, baldes e terra, os integrantes do grupo Cruzadas da Juventude do Lago Sul, iam e vinham, imprimindo, aos poucos, uma inesperada ordem. No cumprimento do dever, a alegria era garantida. ;Viemos de ônibus. Chegamos às 7h. Carregando tudo, inclusive o lanche. Uma bagunça. Muito divertido;, afirmou Bárbara Bianca Santos, 19 anos. ;É minha segunda vez e estamos nos organizando há dois meses. Você acorda, está frio e dá vontade de ficar na cama, mas participar é muito gratificante. É por Jesus que estamos aqui;, sorriu a jovem.

Amigos de Bárbara Bianca, Breno Barbosa, 16, e Bruna Vitória Alves, 15, ambos do Itapoã, concordam. ;O que Ele faz pela gente é muito maior. Precisamos de Deus e esse trabalho alimenta nossa fé. É minha primeira vez e foi maravilhoso;, declarou o rapaz. ;É gratificante ver um monte de pessoas que nem se conhecem, juntas, se esforçando para fazer isso (o tapete), e no maior bom humor;, completou a adolescente.

Celebração

Também pela primeira vez na celebração do Corpus Christi na Esplanada e na confecção do tapete, Wanderson Miranda, 26, disponibilizou o carro para trazer, de Ceilândia, parte dos amigos do movimento Cristo Acolhe. ;Chegamos às 7h. Trouxemos tudo. Baldes, ferramentas, enxadas e pás. Inclusive a areia. É um trabalho muito bonito. Uma tradição da igreja para celebrar o presente que Cristo nos deixou, que foi o seu corpo em forma de pão. Se a nossa fé não nos move diante disso, é porque precisamos rever as prioridades;, frisou.

Jhonnata Carreira, 16, do grupo Geração Jovem, da paróquia Santa Maria dos Pobres, no Paranoá, vê com leveza os improvisos e furos depois de meses de preparação para a celebração. ;Estamos fazendo um tapete bonito para que o bispo e Jesus passem durante a cerimônia. Celebrar esse momento é importante. É muito tempo de organização e muita coisa sai do cronograma. Mas, como dizemos, não é a gente que planeja. É Deus. Ele decide o que é preciso;, afirmou.

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