Redução de preço não chega às bombas

Redução de preço não chega às bombas

DEBORAH FORTUNA ESPECIAL PARA O CORREIO ANNA RUSSI*
postado em 05/06/2018 00:00
 (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


O governo federal prometeu e decretou a redução de R$ 0,46 no preço do diesel. A ideia era conter a greve dos caminhoneiros, iniciada em 21 de maio, que causou uma série de problemas de abastecimento no país. No entanto, no primeiro dia após o feriado prolongado, a categoria disse não ter visto grande diferença nos postos de abastecimento. Uma ronda em alguns locais revelou que a redução ainda não chegou às bombas.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), entre os dias 20 a 26 de maio, o preço médio do diesel girava em torno de R$ 3,957. O maior valor registrado no período foi de R$ 4,29, enquanto o menor foi de R$ 3,699. O Correio circulou em alguns postos para mapear preços. O valor médio do diesel encontrado foi de R$ 3,81. O máximo foi de R$ 4,09 e o menor, R$ 3,69. Questionados, alguns frentistas não souberam indicar se a redução do combustível já havia sido feita. ;Aqui, o diesel abaixou pouco, mas a gasolina já aumentou;, contou um funcionário. Em outro posto, a informação foi de que o valor do diesel passou de R$ 3,99 para R$ 3,79, redução de apenas R$ 0,20 e não os R$ 0,46 prometidos pelo governo.

O caminhoneiro Wagner Borges, 36 anos, afirmou não ter visto a redução em postos de combustíveis. Se isso não acontecer nos próximos dias, ele acredita que uma solução deve ser procurar o Procon e ir atrás dos direitos do consumidor. ;As notícias que chegam são que os postos não estão cumprindo. O governo até fez a medida, mas não é cumprida;, desabafou. Para Wagner, a ideia é lutar para que a proposta do Executivo vire lei. ;Não adianta eles diminuírem por 60 dias e depois voltar tudo como era;, argumentou.

Com a escassez dos combustíveis em postos de todo o país, houve uma disparada nos preços. O da gasolina variou até 173%, entre os dias 18 e 30 de maio. Um levantamento realizado pela ValeCard, empresa especializada em gestão de frotas, mostrou que, durante as manifestações, o valor do litro de gasolina ia de R$ 3,87 até R$ 10,56.

Etanol
O etanol também apresentou variação significativa de preços: de R$ 2,58 até R$ 5,97, uma diferença de 131%, segundo a pesquisa. A ValeCard também informou que, mesmo com o fim da paralisação e a normalização do abastecimento, no feriado de Corpus Christi, o valor da gasolina ainda variava 83% no país, vendida por R$ 3,80 até R$ 6,96 o litro.

No caso do etanol, embora ainda alta, a variação de preço foi menor, de 61%, durante o feriado. O litro era vendido entre os valores de R$ 2,99 e R$ 4,80. Patricia Agra, sócia da área de defesa da concorrência do L.O. Baptista Advogado, explicou que os motivos de tamanha variação são o choque de oferta e o aproveitamento para um abuso de preço por parte dos empresários.

Para a especialista, cabe ao consumidor avaliar o preço cobrado e reagir. E não apenas esperar que o governo intervenha. ;Tem que chamar o Procon, tem que fazer denúncia no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de combinação de preço, tem que buscar outro posto que venda mais barato ou outra alternativa para meio de transporte naquele momento;, ressaltou.

* Estagiária sob supervisão de Simone Kafruni

Variação dos preços no DF (em reais)

Postos Endereço 25/4/2018 9/5/2018
Petrobras EPTG R$ 4,89 R$ 3,99
BR SIA R$ 4,80 R$ 3,49
Petrobras EPTG R$ 4,69 R$ 3,69
VTEX Águas Claras R$ 4,69 R$ 3,99
Safeway EPTG R$ 4,69 R$ 3,69
Ipiranga EPTG R$ 4,95 R$ 4,09
Garantia Guará R$ 4,69 R$ 3,79
Petrolino Taguatinga R$ 4,59 R$ 3,62
* Preços apurados ontem

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