Serviços bons e baratos

Serviços bons e baratos

Nos últimos 20 anos, o avanço das telecomunicações garantiu uma revolução tecnológica. No Brasil, com a privatização, os consumidores passaram a ter acesso ao que há de mais moderno para se comunicar. Empresas apresentam propostas a presidenciáveis

postado em 05/06/2018 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)


Em pleno século 21, não restam dúvidas sobre a importância das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Contudo, no ano em que as telecomunicações completam duas décadas de privatização no Brasil, os desafios para a continuidade de expansão são tão grandes quantos as conquistas. A alta carga tributária, a legislação defasada e a baixa prioridade nas agendas legislativa e governamental preocupam os agentes do setor, que se reuniram nos dias 22, 23 e 24 de maio, em Brasília, no Painel Telebrasil 2018. No evento, foi lançada uma carta de propostas, que será apresentada aos candidatos à Presidência da República.

Nos últimos 20 anos, o avanço das telecomunicações garantiu uma revolução tecnológica no mundo e, no Brasil, com a privatização, os serviços se tornaram disponíveis e baratos, segundo o presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), Luiz Alexandre Garcia. ;A telefonia fixa foi universalizada e o celular é hoje o principal meio de conexão na internet. Não falamos mais de orelhão, mas de TICs, Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). Mas, infelizmente, o marco regulatório é de 1997 e não acompanhou a evolução do setor;, afirma.

Garcia explica que as obrigações das empresas estão desatualizadas. ;A elevada carga tributária, que representa quase 50% da conta dos clientes, é a maior do mundo e o dobro da do segundo colocado, a Argentina;, lamenta. O presidente da Telebrasil lembra que o setor investiu quase R$ 1 trilhão em duas décadas, emprega 500 mil trabalhadores e contribui com R$ 60 bilhões em tributos anuais. ;Nossos serviços estão no dia a dia das pessoas e garantem produtividade e ganho de escala na economia. Embora o poder público tenha iniciado um processo de transformação digital, sobram barreiras para a entrada plena do Brasil na era do conhecimento, da IoT, da Inteligência Artificial (AI) e das tecnologias disruptivas;, revela.

Planejamento
Para Garcia, a revolução digital é a oportunidade que o Brasil tem para dar um salto de eficiência, com benefício para os cidadãos e aumento da competitividade do país. ;A iniciativa privada está preparada e ávida para contribuir. Porém, precisamos de políticas públicas para fazer nossa parte;, alerta. O setor de telecomunicações defende, numa carta de proposição de políticas públicas visando maior eficiência e desenvolvimento das TICs, que todos os brasileiros estejam conectados, com mais cobertura celular, uso intensivo de IoT e implantação de cidades inteligentes.

Se todas as propostas e as medidas elencadas pela Telebrasil (veja no quadro) forem adotadas, o presidente da entidade diz que a indústria das telecomunicações será capaz de garantir, até 2022, 10 milhões de novos domicílios com internet em banda larga, instalação de 50 mil novas antenas de celular e internet móvel, 100 milhões de dispositivos de IoT, serviços de cidades inteligentes, 100 mil novos empregos e qualificação de 1 milhão de profissionais. ;Nosso setor acredita no país e entende que o futuro é agora. O Brasil digital começa aqui;, sentencia Garcia.

Para o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, presente à cerimônia de abertura do Painel Telebrasil 2018, o Brasil das telecomunicações é o país que deu certo. ;O pequeno filme relembrando 20 anos atrás, quando se definiu a privatização, mostra que as políticas públicas deram certo. O Brasil pouco deve à maior parte de outros países. Antes, as coisas chegavam aqui com atraso. Hoje, quando discutimos IoT ou 4G, sabemos que os avanços estão ombreados com a maior parte das nações, fruto de uma política pública que nos permitiu chegar aos dias de hoje;, diz.

Contudo, alerta Kassab, é preciso planejar os próximos 20 anos. ;Podemos estar otimistas em relação a diversos aspectos, mas temos de estar atentos, porque não existe um grau de conscientização compatível com o que desejamos para avançar;, pondera. Kassab reforça a necessidade de se aprovar no Congresso Nacional do PLC 79/2016, já avalizado pela Câmara, que moderniza a Lei Geral das Telecomunicações, criada em 1997, principal pleito do setor.

Além de Kassab, os ministros da Justiça, Torquato Jardim, e do Superior Tribunal Militar, Péricles de Lima Queiroz, participaram da abertura solene do Painel Telebrasil 2018, na qual vários parlamentares ressaltaram a importância do setor. O senador Walter Pinheiro (PT/BA), que completa 39 anos de telecomunicações, diz que ;não há como falar em futuro sem olhar o que foi feito;, diz.

Para o deputado Vitor Lippi (PSDB/SP), presidente da Frente Parlamentar Mista de Apoio às Cidades Inteligentes, não é possível imaginar o Brasil sem banda larga e internet. Relator de projeto sobre isenção de tributos para dispositivos máquina a máquina, com parecer favorável, o deputado Eduardo Cury (PSDB-SP) afirma que o papel dos parlamentares é fazer com que a agenda do futuro seja mais rapidamente trazida para realidade a fim de ;construir o Brasil do amanhã;.

Após a premiação de Uberlândia (MG), líder no ranking Cidades Amigas da Internet, de Ponta Grossa (PR), pelo avanço no mesmo levantamento, e de Juiz de Fora (MG), pela maior oferta de serviços inteligentes entre as 100 maiores cidades, o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, chefe do Executivo de Campinas (SP), elogiou o desempenho das três filiadas à entidade.




Cidades amigas da internet
Veja o ranking dos municípios que mais facilitam a instalação de infraestrutura

1 Uberlândia (MG)
2 Várzea Grande (MT)
3 Rio Branco (AC)
4 São José dos Campos (SP)
5 Guarulhos (SP)
6 Cuiabá (MT)
7 Duque de Caxias (RJ)
8 Rio de Janeiro (RJ)
9 Palmas (TO)
10 Cascavel (PR)



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