Como há quatro anos

Como há quatro anos

LEONARDO MEIRELES
postado em 05/06/2018 00:00
Mais uma Copa do Mundo está para começar e me vem à memória o que ocorreu há quatro anos. A festa por receber a maior competição do mundo, a esperança de execrar de uma vez o Mundial de 1950 e o Maracanaço, o orgulho de organizar e fazer parte de um torneio em que o planeta inteiro está de olho. A oportunidade de mostrar que o Brasil e o brasileiro podem trabalhar direito e construir estádios maravilhosos, sem problemas de locomoção e a alegria reinando entre diversos povos. Nada como o tempo para servir de parâmetro e ensinar o que realmente importa. Não que a gente tenha aprendido, mas as lições estão aí.

Do ponto de vista político-financeiro-social, a Copa mais atrapalhou. Afinal, deixou contas bilionárias com as arenas inúteis construídas Brasil afora. Não precisamos ir longe: o Mané Garrincha se impõe como um elefante branco no centro de Brasília, como um badulaque para nos lembrar de quanto dinheiro foi gasto ali. Enquanto isso, a Petrobras era afanada, a herança de um transporte público de excelência ficava só na imaginação e os conchavos pelo poder só aumentavam. As manifestações que tomaram conta do país e se estenderam até o Mundial deram um pequeno susto. E apenas isso.

Do ponto de vista esportivo, a Confederação Brasileira de Futebol foi devassada por denúncias de corrupção, apostou no fracasso anunciado de Dunga como técnico da Seleção e conseguiu a façanha de fazer o time verde e amarelo se afastar cada vez mais do povo. Tudo bem, ganhamos a medalha de ouro nos Jogos Olímpico do Rio, mas isso ocorreu muito mais com base na qualidade técnica de um só jogador do que na adoção de um esquema tático forte.

Todos sabem: depois de uma Copa do Mundo, sempre vem uma eleição. Deu para ver que a CBF aprendeu a lição pela metade. Os dirigentes daquela época não estão mais à vista apesar de os fantoches estarem no poder agora, e o pragmatismo de Tite deu certo, mesmo com a falta de empolgação do público com o time que se apresenta mais em outros países do que no Brasil. Veremos se, no plano político-financeiro-social, o brasileiro conseguiu absorver os ensinamentos vindos durante esses quatro anos. No caso, nas urnas. Se a lição vier pela metade, não vai adiantar muito.

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