Alerta para dengue, zika e chicungunha

Alerta para dengue, zika e chicungunha

Levantamento aponta que 22% das cidades brasileiras apresentam alta infestação do mosquito transmissor das três doenças, com risco de surto

OTÁVIO AUGUSTO
postado em 08/06/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 25/2/16

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(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 25/2/16 )


Mais de mil municípios brasileiros apresentam alta infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chicungunha. Segundo dados do Ministério da Saúde, 1.153 cidades (22%) têm índice de infestação predial (IIP) acima de 4%, o que representa risco de surto das três doenças. O Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), divulgado ontem, indica ainda estado de alerta em outros 2.069 municípios, sendo 16 deles capitais, incluindo Brasília. Nesses locais, o IIP fica entre 1% e 3,9%.

Os dados apontam para a necessidade de intensificar as ações de combate ao mosquito mesmo fora do verão. ;Com base nas informações coletadas, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de criadouro predominante. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito;, explica o Ministério da Saúde, em nota.

O IIP com taxas inferiores a 1% é considerado satisfatório. De 1% a 3,9%, há situação de alerta. Quando é igual ou maior a 4%, há risco de surto de doenças transmitidas pelo Aedes, segundo o Ministério da Saúde. Dezesseis capitais estão em alerta: Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Velho, Palmas, Maceió, Salvador, Teresina, Recife, Brasília, Vitória, São Luís, Belém, Macapá, Manaus, Natal e Goiânia. Apenas três capitais apresentam índice satisfatório: São Paulo, João Pessoa e Aracaju. Duas capitais estão em risco: Cuiabá e Rio Branco. Boa Vista, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Campo Grande não enviaram informações ao Ministério da Saúde.

Sobre o panorama do DF, a Secretaria de Saúde informou que os dados divulgados pelo Ministério da Saúde levam em consideração as informações fornecidas em fevereiro. ;O último levantamento, publicado trimestralmente pela Secretaria de Saúde, aponta Índice de Infestação Predial de 0,77% em maio, bem abaixo dos 2,05% registrados em fevereiro. O que coloca o Distrito Federal com classificação de satisfatório;, destaca a pasta, em nota.

Em 2018, a previsão do governo federal é de que o orçamento de vigilância em saúde para os estados chegue a R$ 1,9 bilhão. Esse recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas dengue, zika e chicungunha. O recurso é repassado mensalmente a estados e municípios. Até 21 de abril, dados mais recentes, foram notificados 101.863 casos de dengue, dos 40 fatais em todo o país. Ocorreram ainda 29.675 adoecimentos por chicungunha e quatro mortes. A zika infectou 2.985 pessoas, sendo que uma morreu.

Os manuais de vigilância ambiental são unânimes: 90% dos focos do Aedes estão dentro ou próximos de nossas casas. ;É o lixo mal-acondicionado, o vaso de planta, o ralo esquecido, a calha entupida, o pneu abandonado no fundo do quintal, entre outros focos;, explica o infectologista Eduardo Espíndola.

Causas
A crise hídrica pode estar associada ao aumento da infestação do Aedes. Em quatro estados do Sudeste e do Nordeste, onde houve algum tipo de racionamento de água, foram registrados crescimento nos casos de dengue. ;As pessoas se veem obrigadas a armazenar água em casa. Como em muitos casos não é adequado, o mosquito se reproduz;, destaca Eduardo.

No período da crise hídrica em São Paulo, Paraíba, Pernambuco e Ceará os índices de dengue ; principal doença transmitida pelo Aedes, aumentaram. Em São Paulo, por exemplo, a estiagem no Sistema Cantareira começou em 2014, quando 221.946 pessoas adoeceram. No ano seguinte, o vírus infectou 233,1% mais: 739.418 casos.

Em Pernambuco, 61% dos municípios passaram por racionamento em 2015 ; neste ano, os casos de dengue subiram 867%. Passaram de 10.282 em 2014, para 99.422. A infestação por Aedes subiu simultaneamente com a rigorosidade da estiagem em 2015 na Paraíba. A dengue adoeceu 69,4% mais pessoas. Os casos saltaram de 21.127 para 35.798 no ano passado. No Ceará, a seca atingiu o estado mais fortemente em 2015. Um ano antes, 21.748 pessoas tiveram dengue. Durante o racionamento, foram 63.215 doentes ; 190,6% mais.

Preocupação

Veja panorama das doenças transmitidas pelo Aedes
Doença Casos Mortes
Dengue 101.863 40
Zika 2.985 1
Chicungunha 29.675 4
Fonte: Ministério da Saúde

;As pessoas se veem obrigadas a armazenar água em casa. Como em muitos casos não é adequado, o mosquito se reproduz;

Eduardo Espíndola, infectologista

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