Três áreas do Pré-Sal rendem R$ 3,15 bilhões

Três áreas do Pré-Sal rendem R$ 3,15 bilhões

Blocos são vendidos com ágio de mais de 200%. Previsão de investimentos é de R$ 738 milhões e de arrecadação, de até R$ 40 bilhões em 30 anos

» Simone Kafruni
postado em 08/06/2018 00:00
 (foto: Agência Petrobrás/Divulgação - 31/8/9)
(foto: Agência Petrobrás/Divulgação - 31/8/9)


O governo conseguiu arrecadar R$ 3,15 bilhões dos R$ 3,2 bilhões estimados na 4; Rodada de Partilha de Produção do Pré-sal, realizada ontem, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro. Apesar de uma das quatro áreas ofertadas não ter sido arrematada, o governo comemorou ágio de 500% no bloco mais atrativo, o que garantiu uma média de 202,30% no leilão. A previsão de investimentos é da ordem de R$ 738 milhões, e a arrecadação de tributos e royalties pode chegar a R$ 40 bilhões em 30 anos.

As principais petroleiras do mundo marcaram presença na disputa e venceram aquelas que ofereceram o maior excedente em óleo, chamado lucro-óleo, à União. Ao todo, 16 empresas foram habilitadas a participar do leilão, que ofertou quatro áreas do pré-sal: os blocos Três Marias e Uirapuru, na Bacia de Campos, e Itaimbezinho e Dois Irmãos, na Bacia de Campos. Apenas Itaimbezinho, que tinha o menor valor de bônus de assinatura, de R$ 50 milhões, não atraiu interessados.

Das 16 companhias registradas, 11 disputaram o bloco mais atrativo e mais caro do leilão, Uirapuru, ofertado com bônus de assinatura de R$ 2,65 bilhões e percentual mínimo de excedente em óleo para a União de 22,18%. Com a disputa acirrada, o bloco foi arrematado com percentual de óleo-lucro de 75,49% por um consórcio formado pela Petrobras (30%) como operadora, pela Petrogal (14%), Statoil (28%) e ExxonMobil (28%).

O segundo bloco oferecido, o Dois Irmãos tinha bônus mínimo de R$ 400 milhões e percentual mínimo de excedente em óleo de 16,43%. Foi vencido pelo consórcio formado pela Petrobras (45%), Statoil (25%) e BP Energy (30%) pelo percentual exato de 16,43%. O terceiro, Três Marias foi oferecido por um bônus de R$ 100 milhões e percentual mínimo de 8,32% para a União. O consórcio formado pela Petrobras (30%), Chevron (30%) e Shell (40%) arrematou com oferta de 49,95% de óleo-lucro.

Preferência

Para o presidente da ANP, Décio Oddone, o leilão foi marcado pela competição. ;Pela primeira vez, a Petrobras foi forçada a fazer uma oferta maior do que a inicial nos blocos em que exerceu preferência;, comentou. Segundo ele, o resultado da sistemática adotada pelo governo não será apenas o bônus de R$ 3,15 bilhões. ;O que vai trazer resultado lá na frente é a produção, a geração de emprego e renda, royalties e partilha de óleo-lucro para a União. As receitas esperadas pela União são de R$ 40 bilhões, fruto do ágio que tivemos;, disse. A estimativa é em valores atuais ao longo do período do contrato, de 30 anos.

João Vicente Carvalho, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), reiterou o êxito do certame. ;O leilão foi um sucesso absoluto, clara indicação de que estamos no caminho certo;, comemorou. Conforme ele, a indústria petroleira vê projetos diferentes do que os analisados pela ANP. ;O benefício de ter uma pluralidade de empresas avaliando os ativos é justamente conseguir capturar aquele investidor que é mais otimista em relação ao projeto. Isso ficou evidente na participação de 11 empresas das 16 qualificadas pelo bloco Uirapuru;, avaliou.

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