Desafios para socialistas

Desafios para socialistas

O premiê Pedro Sánchez toma posse à frente de um gabinete feminista e pró-europeu, com a missão de enfrentar uma taxa de desemprego recorde de 16,7% e deficit público de 18 bilhões de euros. Direita promete fazer "oposição sem concessões"

postado em 08/06/2018 00:00
 (foto: Javier Lizón/AFP)
(foto: Javier Lizón/AFP)


Uma taxa de desemprego de 16,7% ; a segunda maior da União Europeia ; e um deficit de 18 bilhões de euros no sistema de aposentadorias estão entre os principais desafios para o governo do socialista Pedro Sánchez, que prestou juramento ontem ante o rei da Espanha, Felipe VI. O gabinete terá de governar com apenas 84 dos 350 deputados, tendo contra ele uma ;oposição sem concessões; do Partido Popular (PP, direita), do ex-premiê Mariano Rajoy, destituíudo por uma moção de censura apresentada por Sánchez. Fortemente pró-Europa, o mais minoritário dos governos em 40 anos de democracia espanhola é também o mais feminino da história do país, com 11 mulheres e seis homens.

Sánchez e a equipe prestaram juramento no Palácio Zarzuela, em cerimônia marcada pela ausência de símbolos religiosos, como a Bíblia e o crucifixo, abandonado a tradição, à semelhança do que ocorreu durante a posse do premiê, no último sábado. O líder socialista se define como ateu e sempre defendeu o fim do ensino religioso nas escolas públicas. Para ele, o Estado deve ser laico e desvinculado de qualquer religião. As várias ministras, ao prestarem juramento, referiram-se de maneira reivindicativa ao ;Conselho de ministras e ministros;.

Apoio limitado
O premiê socialista prometeu atender as ;urgências; e lutar ;contra todo o tipo de desigualdade;. O rol de desafios inclui baixos salários e aposentadorias, precariedade trabalhista, falta de igualdade salarial de gênero, cortes na saúde pública, entre outros. Para economistas, são objetivos praticamente inalcançáveis para um governo fraco, inexperiente e sem margem de ação por seus compromissos com Bruxelas, em um momento delicado no horizonte econômico.

A estabilidade do governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) dependerá da margem dada pelos 64 deputados do Podemos (esquerda radical) e pelos nacionalistas bascos e catalães, que apoiaram a moção contra Rajoy. O líder do Podemos, Pablo Iglesias, que acenou com a participação no gabinete, lançou uma advertência aos socialistas: ;Escolheram um governo solitário e desejamos boa sorte;.

O novo governo inclui dois veteranos socialistas: a ex-ministra da Cultura Carmen Calvo, agora vice-premiê, e Josep Borrell, ex-presidente do Parlamento Europeu, como chanceler. A presença inesperada, na pasta do Interior, é o juiz basco Fernando Grande-Marlaska, que instruiu processos contra o grupo separatista basco ETA. Carmen Calvo também assume o Ministério de Igualdade,.

Sánchez nomeou mulheres para pastas muito importantes: a procuradora antiterrorista Dolores Delgado, na Justiça; a porta-voz parlamentar Margarita Robles, na Defesa; Magdalena Valerio, no Trabalho; Reyes Maroto, na Indústria; e Isabel Celaá, como titular da Educação.

Sem trégua
O porta-voz do PP no parlamento, Rafael Hernando, anunciou que a bancada direitista fará uma oposição ;sem concessões; ao gabinete socialista, mas prometeu uma atitude ;leal, responsável e sensata;. Já na manhã de ontem, o partido ofereceu um vislumbre de como será seu comportamento. Em um primeiro encontro, o PSOE pediu que nenhuma sessão de controle do governo no plenário fosse realizada na semana que vem. Todos os partidos, exceto o de Rajoy, apoiaram a proposta de dar uma margem de cortesia para o premiê e os ministros, que acabam de desembarcar no Palácio de Moncloa .

;Sánchez não explicou a esta Câmara, que lhe deu legitimidade, o que vai fazer. Seus ministros vão à televisão e em muitos casos dizem sandices ; não somente nas sessões de controle;, lamentou Hernando. Ele também lembrou que o líder socialista apresentou o gabinete em uma cerimônia na qual não foram admitidas perguntas dos jornalistas, e sugeriu acreditar que Sánchez ;esconde alguma coisa;.

A lista de reprovações do PP ao PSOE e aos grupos que apoiaram a moção de censura, na semana passada, vai adiante. Hernando atacou os socialistas também em relação aos gastos públicos. O governo de Rajoy teve 13 ministérios, e Sanchez nomeou 17. ;Vamos ver como eles conseguem alterar o orçamento e adaptá-lo a uma crescente estrutura;, desafiou o porta-voz direitista. ;Isso é típico dos socialistas, que só sabem como gastar o dinheiro público.;



"Escolheram um governo solitário, e desejamos boa sorte;
Pablo Iglesias, líder do partido Podemos (esquerda radical)




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