Retrocessos globais

Retrocessos globais

ADRIANA BERNARDES adrianabernardes.df@dabr.com.br
postado em 05/07/2018 00:00
Após um período de governos progressistas, parte da população da Europa, dos Estados Unidos e de alguns países da América Latina optaram por eleger políticos conservadores. As consequências do novo ciclo recaem sobre a sociedade e dão sinais do que vem pela frente. A revogação de políticas inclusivas e de respeito à diversidade; a retirada de direitos trabalhistas; e a redução ou extinção de programas sociais são apenas o começo de um processo que tende a se agravar, inclusive, no Brasil, a depender das eleições de outubro.

Estudiosos avaliam que os partidos de esquerda foram incapazes de dar as respostas que a sociedade esperava para a economia. Não conseguiu estancar as mazelas sociais, apesar de, em alguns casos, como no do Brasil, terem reduzido a desigualdade social. Parece haver uma crença de que as soluções virão das leis de mercado. Já estivemos sob a égide das políticas liberais e o abismo social só fez se alargar.

A mais recente ofensiva às minorias vem do governo Donald Trump e ameaça à política de cotas raciais. Ele recomendou as escolas e as universidades americanas que não levem em conta a raça no processo de seleção dos estudantes. A medida foi duramente criticada por lideranças de direitos civis no país. Também partiu de Trump a decisão de proibir transgêneros nas Forças Armadas norte-americana. Ano passado, ele escreveu em sua conta no twitter: ;Nossos militares devem estar focados na vitória decisiva e devastadoras, e não podem ficar sobrecarregados com os tremendos custos médicos que o transgênero militar poderia trazer. Obrigado;. Apesar das reações contrárias, em março último, a Casa Branca ordenou o banimento de transgêneros das Forças Armadas.

No Brasil, os retrocessos são evidentes. Talvez um dos mais graves, até agora, seja o congelamento dos investimentos públicos na saúde e educação por duas décadas. A Base Nacional Comum Curricular teve expressões como ;identidade de gênero; e ;orientação sexual; retirados do texto.

Com um cenário político indefinido, o eleitor brasileiro ; e do mundo ; precisa extirpar dos cargos públicos candidatos com ideais machistas, sexistas, racistas e homofóbicos. Devem ser excluídos homens e mulheres que enxergam os moradores das periferias como cidadãos sem importância, bem como aqueles que acreditam que as soluções para a violência são o armamento da população, o assassinato de criminosos e o encarceramento dos jovens.

Devem ser ignorados nas urnas, políticos que consideram normal que mulheres sejam assassinadas pela sua condição de ser mulher. Que não enxergam a matança de jovens negros da periferia como um problema social que necessita de políticas públicas para ser resolvido. O Brasil e os brasileiros não merecem políticos com tais ideais no comando da Nação.





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