Técnica pode salvar rinocerontes

Técnica pode salvar rinocerontes

postado em 05/07/2018 00:00
 (foto: Noor Khamis/Reuters - 19/1/10 )
(foto: Noor Khamis/Reuters - 19/1/10 )


Para combater a extinção de diversas espécies de animais, pesquisadores têm recorrido aos avanços da genética. Um grupo da Alemanha usou tecnologias de reprodução assistida para criar embriões híbridos do rinoceronte-branco do norte, o mamífero mais ameaçado do mundo. A morte recente do último macho deixou duas fêmeas como os únicos membros vivos da espécie. Ambas, porém, são inférteis. Detalhes do trabalho foram divulgados na edição desta semana da revista Nature Communications.

A fertilização in vitro foi usada anteriormente em mamíferos de grande porte, como cavalos. Segundo a equipe liderada por Thomas Hildebrandt, pesquisador do Instituto Leibniz de Zoologia e Vida Selvagem, este é o primeiro trabalho a desenvolver embriões de rinocerontes até o estágio de blastocisto ; etapa em que estão prontos para a implantação.

Os cientistas usaram espermas de rinoceronte-branco do norte e, devido ao número limitado de ovócitos de fêmeas disponíveis, fertilizaram ovócitos da subespécie mais intimamente relacionada: o rinoceronte-branco do sul. Três embriões híbridos resultantes (um sul-sul e dois sul-norte) foram congelados para possível implantação.

Barriga de aluguel

Nessa futura etapa, fêmeas de rinoceronte-branco do sul servirão de barriga de aluguel. A expectativa é de que o primeiro filhote de rinoceronte-branco do norte ;puro; nasça em três anos, segundo Hildebrandt. Para isso, os pesquisadores esperam coletar ovócitos das duas fêmeas vivas, Najin e Fatu, nascidas, respectivamente, em 1989 e 2000. ;Tendo em conta os 16 meses de gravidez, temos pouco mais de um ano para conseguir uma implantação em uma mãe portadora de rinoceronte-branco do sul, dado que nem Najin nem Fatu podem desenvolver uma gravidez;, explica.

Para a equipe, a tecnologia poderá ser explorada em outros projetos conservacionistas. ;Nossos resultados indicam que essa técnica pode ser uma estratégia viável para resgatar genes do rinoceronte-branco do norte quase extinto e também pode ter um impacto mais amplo se aplicada em outras espécies de grandes mamíferos ameaçadas de extinção;, detalharam no artigo.


Escolta armada
Sudão morreu em março em Ol Pejeta, uma reserva no Quênia. O rinoceronte macho tinha 45 anos e sofria de complicações relacionadas à idade. Uma infecção na pata direita acabou agravando o quadro. Nos últimos dias de vida, o animal ficou sob segurança armada. Mesmo em área protegida, animais selvagens são alvo de caçadores no país africano. Em 2014, restavam sete indivíduos no planeta ; todos em zoológicos. No verão de 2015, o número havia caído para quatro.



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