Montanha mecânica

Montanha mecânica

Robusta e despojada, a Royal Enfield Himalaya, modelo aventureiro, vai desembarcar no Brasil equipada de motor de um cilindro refrigerado a ar e óleo, suspensão traseira mono e visual clássico

» Téo Mascarenhas Especial para o Correio
postado em 05/07/2018 00:00
 (foto: Fotos: Royal Enfield/Divulgação)
(foto: Fotos: Royal Enfield/Divulgação)


A Royal Enfield tem o mais antigo modelo do mundo em produção contínua. O recorde é da Bullet 500, fabricado desde 1932 sem interrupção, modelo que também é comercializado no Brasil. A marca nasceu em Redditch (Inglaterra), em 1901, inicialmente produzindo bicicletas, motores estacionários e máquinas de cortar grama. Foi no esforço industrial da Primeira Guerra Mundial que as motocicletas começaram a ser produzidas. Com o fim do conflito, os modelos se espalharam pelo mundo, inclusive na Índia, que então passou a produzir a marca com exclusividade no lugar da Inglaterra.

A partir dos anos 2000, a Royal Enfield iniciou nova fase, mantendo os modelos clássicos (como a Bullet 500), mas também desenvolvendo outros segmentos, como a nova Himalayan 400, de uso misto, cidade e campo, e que também chegará ao Brasil oficialmente a partir de julho, ainda sem preço definido. A guinada da marca incluiu a compra do centro de desenvolvimento de modelos (Harris Performance Products), na Inglaterra, e instalação de dois centros técnicos para apoiar a produção concentrada em Chennai (na Índia) e exportação para diversas partes do mundo.


Montanha

O novo modelo foi batizado com o nome da Cordilheira dos Himalaias, a famosa cadeia de montanhas situada ao Norte da Índia, tendo o topo do monte Everest como o ponto culminante do planeta, com 8.848 metros de altura. Uma responsabilidade que a Himalayan pretende responder com uma concepção proposital e fortemente robusta. Começando pelo motor, que foi desenvolvido especialmente para o modelo, chamado LS 400 (long stroke). Com um cilindro e 411cm; de cilindrada, o propulsor tem refrigeração a ar e óleo, injeção eletrônica, e desenvolve potência de 24,5cv a 6.500rpm e torque de 3,27kgfm já aos 4.250rpm.

As características de robustez ficam reforçadas com a recomendação de troca de óleo somente a cada 10 mil quilômetros (eles não conhecem nossos bravos motoboys) e um câmbio de cinco marchas. O quadro também segue essa linha, com arquitetura em tubos de aço do tipo berço duplo e peso total de 191kg. No quesito suspensão, pela primeira vez na marca adotou-se o sistema monoshock, com um único amortecedor na traseira, com 180mm de curso. Na dianteira, a suspensão é do tipo convencional não invertida, com tubos de 41mm de diâmetro e bom curso de 200mm.


Clássica

A robustez proposta para encarar condições adversas de terreno e real possibilidade de manutenção precária (situação encontrada na Índia e em diversos países), também restringiu o uso de maiores requintes eletrônicos. O figurino adotado é clássico, com farol único redondo, linhas conservadoras e comportadas. O painel segue essa tendência, com instrumentos arredondados de leitura analógica, mas com uma inevitável concessão feita à pequena tela digital.

A Himalayan 400 vem com garupeira e preparação para receber bolsas laterais. O tanque comporta 15 litros, proporcionando boa autonomia. O banco também faz uma concessão e tem dois níveis, com altura do piloto a 80cm, projetando uma ergonomia mais confortável, junto com guidão e pedaleiras mais elevadas. As rodas são raiadas, com aro de 21 polegadas na dianteira (como nos modelos fora de estrada que também têm escape alto) e 17 na traseira, calçados com pneus de uso misto. Os freios são a disco com pinça de duplo pistão e 300mm de diâmetro na dianteira e 240mm atrás.



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