Mulheres serão fiel da balança em outubro

Mulheres serão fiel da balança em outubro

postado em 16/07/2018 00:00
O eleitorado feminino é hoje o responsável pela maioria dos votos brancos e nulos declarados em pesquisas de intenção de voto para presidente da República. Seis em cada 10 eleitores dispostos a não votar nos pré-candidatos apresentados são mulheres na faixa etária dos 35 aos 44 anos, desiludidas com os recorrentes escândalos de corrupção envolvendo a classe política e preocupadas com o rumo da economia.

A mesma preponderância feminina é observada no grupo dos eleitores indecisos. O detalhamento da última pesquisa CNI/Ibope para presidente mostra que, enquanto elas representam 52% do eleitorado nacional, são 58% na fatia dos que votam branco ou nulo e 55%, entre os que não se decidiram.

A indignação feminina, especialmente com a retomada do emprego e o risco da inflação, explica o fenômeno. Especialistas apontam, ainda, mais dois motivos: o sentimento de que os atuais políticos não as representam ; em 2014, elas preencheram apenas 10% das vagas na Câmara dos Deputados ; e a indefinição em torno de quem será ou não candidato em outubro. A vendedora Denise de Melo, 35 anos, faz parte da estatística. Vai anular o voto porque não sente empatia pelos pré-candidatos. ;A gente pesquisa, pesquisa, mas não encontra ninguém que nos represente com dignidade;.

O percentual de eleitores dispostos a anular o voto é o que mais chama a atenção. No cenário sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Lava-Jato, o índice total de eleitores que declaram voto em branco ou nulo chega a 31%. Em 2014, de acordo com o Ibope, a taxa era de 16%. Entre os que se dizem indecisos, o percentual se mantém em 8%. Apesar de se considerar também uma desiludida com a política, Iris Cristina dos Santos Liu, 37, quer ;fugir; do voto branco ou nulo. Dona de salão de beleza em São Paulo, ninguém ainda conquistou sua confiança. ;Quero escolher um nome. Mas o voto em branco não está descartado;.

Para a cientista política Vera Chaia, da PUC-SP, o não voto não significa necessariamente desinteresse. ;A mulher critica, reivindica e participa mais hoje. Há muito mais cobrança, movimentos contra assédio, a favor da equiparação de salários e isso faz com que tenham mais poder de decisão. O número de votos brancos e nulos é uma crítica ao atual momento da política e aos candidatos;, afirmou. O resultado das pesquisas qualitativas confirma essa percepção. As mulheres deixam para decidir quase na véspera da eleição, justamente porque são mais críticas, avaliou a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari Nunes.




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