As lições dos azuis

As lições dos azuis

RENATO ALVES renatoalves.df@dabr.com.br
postado em 16/07/2018 00:00

A França venceu a sua segunda Copa do Mundo com todos os méritos. Com resultados incontestáveis, venceu seus jogos sem correr grandes riscos. Mostrou um time coeso, que sabia se defender, atacar com eficiência e segurar o resultado quando era necessário. Os valores individuais renderam o esperado, sempre pensando no conjunto, obedecendo ao plano do treinador.

Mas a conquista da França traz outras lições, para o universo do futebol e para o restante do mundo.

O time que ganhou e encantou o mundo ontem é multicultural, formado por imigrantes, filhos de imigrantes, jovens que representam 17 nações. Muitos cresceram e se formaram na periferia de Paris, como N;Golo Kanté e Paul Pogba.

Ao lado deles, jogou gente de realidade socioeconômica diferente, como o capitão Hugo Lloris, de origem catalã/espanhola. Criado em Nice, na Côte D;Azur, o goleiro é filho de um banqueiro em Mônaco e de uma advogada. ;Eles me deram base para eu evoluir e que carrego até hoje: o respeito, o gosto pelo trabalho e a abertura aos outros;, disse Loris ao jornal francês Libération.

Essa mistura e esse respeito são importantes em qualquer momento, em qualquer cenário. Eles se tornam mais necessários ainda em um período em que boa parte do mundo, incluindo o Brasil, vê o crescimento da intolerância, do extremismo nacionalista, de princípios fascistas e nazistas.

Outros ensinamentos da bicampeã França partem do seu maior valor individual, Mbappé. Revelação da Copa, vencedor de uma Copa aos 19 anos, não precisou de cabeleireiros exclusivos, pai dormindo no mesmo hotel, jatinho particular nem uma rede de ;parças; para lhe defender nas redes sociais para jogar o que todos esperavam dele.

Mbappé nunca deu qualquer demonstração de arrogância, estrelismo, individualismo. Só mostrou ter muita alegria no rosto e nas pernas, jogando com a alegria natural de um garoto que gosta do esporte mais popular do planeta. E ainda doou o dinheiro da premiação ganha pela participação no Mundial a instituições de caridade, sem se gabar, sem fazer publicidade disso.

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