Chip organiza células e facilita pesquisas

Chip organiza células e facilita pesquisas

postado em 16/07/2018 00:00
Se já é difícil arrumar suas roupas em uma gaveta, imagine o trabalho que pesquisadores têm para organizar milhares de amostras de células necessárias para um experimento. Uma equipe de cientistas do Japão e dos Estados Unidos encontrou uma solução aparentemente simples: usar chips para fazer a identificação das estruturas microscópicas.

O trabalho, divulgado na revista iScience, foi feito em organoides ; estruturas cultivadas a partir de células-tronco pluripotentes que imitam funções de órgãos humanos. Aqueles que receberam os chips mantiveram as funções normais e resistiram a condições extremas, como o congelamento. Os resultados sugerem que a técnica poderá ser usada como uma forma eficiente de organização de grandes quantidades de amostras. ;A ideia é combinar organoides com tecnologias digitais para avançar em testes de medicamentos e transplantes;, diz Takanori Takebe, da Universidade Médica e Odontológica de Tóquio e um dos autores do artigo.

Os pesquisadores utilizaram uma tecnologia chamada chip de identificação por radiofrequência, mais conhecida como RFID, que está presente, por exemplo, em cartões de ônibus e é usada extensivamente na saúde. Esses chips foram incorporados aos organoides desde a sua formação. ;Introduzi-los por métodos agressivos, como injeções, é extremamente tóxico para as células. Por isso, usamos a capacidade natural de adaptação dos organoides para integrar os chips, de modo a evitar danos ao tecido;, conta Takebe.

Fígado
A equipe testou o procedimento em 96 organoides que imitavam o fígado humano. Cerca de 95% das amostras cresceram ao redor do chip com sucesso, incorporando-o à sua estrutura e mantendo suas formas e funções normais, como secreção de proteínas e transporte de bile.

Conhecidos pela durabilidade, os chips RFID também funcionaram como o esperado: resistiram ao congelamento em temperaturas de 200; C e a ambientes com níveis diferentes de pH. Mesmo após esses processos, os pesquisadores conseguiram identificar, entre um grupo com diversas amostras, organoides cultivados a partir de doadores com acúmulo de gordura no fígado. Segundo Takebe, são necessários mais estudos para aumentar a produção dos organoides com chips e criar um sistema capaz de analisar as células e o dispositivo ao mesmo tempo.




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