Triunfo da torcida azul

Triunfo da torcida azul

Franceses se emocionaram com a vitória sobre a Croácia. A festa foi dupla na Embaixada em Brasília: pela taça da Copa do Mundo e os pelos 229 anos da Revolução

postado em 16/07/2018 00:00
 (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

Vinte anos se passaram até que o galo francês pudesse cacarejar novamente no futebol, trazendo o som de boas-novas a toda uma nação. A França ergueu a taça da Copa do Mundo pela segunda vez no mesmo fim de semana em que celebra os 229 anos de Revolução Francesa. O placar de 4 x 2 da vitória sobre a Croácia emocionou os torcedores que se reuniram na Embaixada, a 8,7 mil km de distância de casa.

Os médicos Roselle, 57 anos, e Frederic Steenhouwer, 57, se conheceram na França, onde estudaram e também começaram um romance. Em 1981, a mulher voltou para o Brasil. ;Ele disse que me seguiria até o fim do mundo, e realmente seguiu. Se mudou para cá e, depois, nos casamos;, relembra Roselle. O casal tem três filhos: Jean, 29; Julian, 27; e Joseph, 21. O primogênito veio de São Paulo para acompanhar as comemorações do fim de semana. ;Estes foram momentos inesquecíveis. A França é realmente uma lutadora. Um dia após a comemoração da Queda da Bastilha, conseguimos essa grande vitória. Amanhã, a segunda estrela será bordada em cima do galo da minha camisa;, diz o franco-brasileiro, cheio de orgulho.


O time de Didier Deschamps deixou Frederic cheio de animação. ;Estou no Brasil há anos e, por isso, torço para os dois times. Como a Seleção Canarinho saiu de cena, pude torcer apenas para a França, não houve um conflito, como em 1998;, afirma. Naquele ano, a disputa França x Brasil dividiu o casal Suely, 70, e Antoine de Rosseli, 75, moradores da Asa Sul. Os dois moravam em Brasília e a guerra entre a pianista e o agente de viagens foi documentada pelo Correio. Para ver o jogo final, se separaram: ele assistiu na Embaixada da França e ela, na casa de amigos.

;Nós nos apaixonamos na França. Posteriormente, ele veio para o Brasil comigo, para conhecer os meus pais, no Rio de Janeiro;, relata Suely. Tempos depois, Antoine largou o emprego na Air France para ficar com a pianista. ;Eu tive de largar tudo para ficar com o meu amor. Mas aqui no Brasil fui chamado para trabalhar no Aeroporto de Brasília, em 1968, foi algo bem rápido;, conta Antoine, que terminou um noivado para viver a história de amor.


O casamento superou a vitória do galo gaulês sobre o canarinho e, dessa vez, eles foram juntos para a Embaixada da França, para a disputa contra a Croácia. Eles se animaram e se emocionaram ao lado dos demais torcedores, que gritavam a plenos pulmões a cada toque na bola dos jogadores franceses e, sobretudo, a cada gol. Apesar de o jogo ter sido transmitido em português, muitas das expressões eram em francês, para deixá-los mais perto de casa.


O presente das bodas de ouro de Suely e Antoine foi o time de Didier Deschamps levar a taça de campeã, com o gol contra de Mandzukic, o pênalti de Griezmann e as bolas na rede de Pogba e Mbappé. Este também foi o presente de aniversário para o pequeno Benjamin Marki, que completa 1 ano hoje. Ele assistiu ao jogo ao lado da mãe, a secretária Carolina Marki, 30, e da avó, a professora Daniele Marki, 59. ;Sempre acreditei que a Seleção da França poderia ganhar essa Copa, com jogadores esforçados e com um ótimo desempenho. Estamos muito felizes e, se meu avô Georges (o patriarca francês da família) ainda estivesse aqui, estaria tão feliz quanto nós;, afirma Carolina.




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