A gratidão dos javalis

A gratidão dos javalis

Em vídeo, os 12 meninos resgatados de caverna agradecem aos socorristas, demonstram senso de humor e revelam as refeições que desejam fazer. Os "javalis selvagens" terão alta na quinta-feira. Mergulhador que participou da operação falou ao Correio

Rodrigo Craveiro
postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Ministério da Saúde Pública da Tailândia/AFP)
(foto: Ministério da Saúde Pública da Tailândia/AFP)


As primeiras palavras dos 12 garotos tailandeses resgatados da caverna inundada de Tham Luang, no norte do país, foram de gratidão. Em uma série de vídeos divulgados ontem, os meninos da equipe de futebol ;Javali Selvagem; aparecem com o rosto coberto por uma máscara e se dirigem aos mergulhadores e às equipes envolvidas na operação de salvamento. O Ministério da Saúde Pública da Tailândia anunciou que todos receberão alta na próxima quinta-feira. Outra boa notícia está no fato de que os médicos conseguiram contornar a pneumonia que afetava duas das crianças.

;Olá! Eu sou Adul. Agora, estou muito bem. Muito obrigado por nos ajudarem. Muito obrigado!”, disse Adul Sam-On, 14 anos, o único a falar inglês, o que o levou à condição de ;porta-voz; e interlocutor dos javalis selvagens durante os 17 dias de isolamento na caverna. Além de externar o desejo de comer frango frito da rede de lanchonete KFC, ele revela um desenho de sua autoria, no qual todos aparecem ao lado do treinador Ekapol Chantawong, o ;Ake;, de 25 anos.

Com apenas 11 anos, o caçula do grupo, Chanin Vibulrungruang, conhecido como ;Titan;, sorri para a câmera. ;Oi, meu nome é Titan. Meu corpo está começando a retornar ao normal;, afirmou. ;Eu quero comer sushi. Quero agradecer aos SEALs por nos ajudarem. Obrigado a todos por terem nos apoiado até agora;, acrescentou. Panumas Sangdee, 13, cujo apelido é ;Mig;, mostra o bíceps direito, no leito 5 do Hospital Chiang Rai Pachanukroh. Depois, une as duas mãos e começa a falar. ;Oi, meu nome é Mig. Estou saudável. Muito obrigado por entrarem na caverna para me socorrerem. Não se preocupem. Estou a salvo.;

No vídeo, Prajak Sutham, 15, o ;Note;, também se diz saudável e repete o agradecimento dos colegas. Dungapet Promtep, 13, confidencia um desejo gastronômico. ;Eu sou Dom. Estou saudável. Quero comer arroz com perna de porco assada. Quero agradecer a todos pelo seu apoio;, declara. O zagueiro do time, Pornchai Kamluang ou ;Tee;, 16, afirma que gostaria de apreciar um pad kraprao ; tradicional prato tailandês à base de arroz, carne de porco e manjericão. ;Obrigado por sua preocupação;, conclui.

Por sua vez, Ekarat Wongsukchan, 14, sorri bastante, jura estar bem e exibe os dois bíceps. ;Obrigado por me salvarem e por me apoiarem;, diz Pipat Pho, 15, também chamado de ;Nick;. O mais velho, Peerapat Sompiangjai, 17, alega estar ;bem; e admite que ;amaria um churrasco;. Faz o ;V; de vitória. ;Obrigado a todos ao redor do mundo por me salvarem;, afirma Somphong Jaiwong, o ;Pong;, de 13 anos. ;Estou pronto para comer e gostaria de um bife. Obrigado, povo tailandês, por seu apoio. Estarei saudável e seguirei lutando;, emenda Monkol Boonpeam, o ;Mark;, 12.

Técnico
O treinador também enviou uma mensagem à opinião pública. ;Estou melhorando e capaz de comer normalmente. Queria arroz frito e barriga de porco crocante. Quero agradecer a todos e aos ministérios por sua ajuda;, diz, ao citar o primeiro-ministro tailandês, Prayuth Cahn-ocha, os SEALS ; integrantes da unidade de elite da Marinha da Tailândia ; e os médicos. Ao fim do vídeo, todos acenam.

Depois da provável alta na quinta-feira, os 12 jogadores de futebol e o técnico receberão apoio psicológico para lidar com o assédio da imprensa e de curiosos. ;Os 13 ;javalis selvagens; estão em boa condição física e com bom ânimo;, confirmou o ministro da Saúde Pública, Piyasakol Sakolsattayatorn. ;Eles receberão alta a princípio na quinta-feira;, acrescentou.

Os médicos aconselharam os garotos a passarem a maior parte do tempo com a família e os amigos. Também recomendou que eles não deem entrevistas ; existe o temor de que a abordagem da experiência traumática possa desencadear sintomas de transtorno de estresse pós-traumático.






Depoimento

;Foi muito difícil;

Sou mergulhador profissional há 13 anos. Um SEAL me enviou um e-mail e disse que eles precisavam de mergulhadores. Horas depois, decidi me reunir a eles na caverna Tham Luang. O nível de dificuldade do resgate foi muito alto. Como a caverna estava inundada, tivemos de mergulhar por grande parte dela. Em algumas áreas, foi preciso tirar o equipamento, pois as passagens eram estreitas.
Fui até a ;junção T;, pouco antes do local onde os 12 garotos estavam. Transportei água potável, comida e oxigênio. Eu os vi ao passarem por nós, nas macas, e ajudei a levá-los. Estavam sedados, a fim de que mergulhassem. O mais importante é que respiravam. A única coisa com o que tivemos de nos preocupar foi se a máscara estava na posição correta.;

Fernando Raigal, 33, mergulhador espanhol envolvido no resgate. Depoimento exclusivo ao Correio



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