Candidata e Rede: propostas divergem

Candidata e Rede: propostas divergem

postado em 15/07/2018 00:00

Há cerca de um mês, integrantes do autointitulado ;polo democrático e reformista;, representantes do chamado ;centrão; preocupados com a pouca expressividade dos seus expoentes na corrida presidencial, fizeram um apelo público para que personagens como Marina Silva (Rede) e o tucano Geraldo Alckmin se unissem. Ela entraria como vice ou até cabeça de chapa, defendiam alguns deles. O grupo que tem buscado atrair Marina aponta como prioridades uma ;postura firme; na segurança pública, ;tolerância zero; com o crime organizado e desburocratização de licenciamento ambiental.

A agenda difere muito das pautas defendidas pelos parlamentares que a representam no Congresso Nacional. A Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina, é conhecido pela atuação que bate de frente com o centrão e com a direita: criticou severamente a condução de reformas macroeconômicas; protocolou pedidos de impeachment do presidente Michel Temer; e votou contra a reforma trabalhista, a emenda do teto dos gastos e a Lei da Terceirização. Em todas essas votações, o partido de Marina garantiu 100% de rejeição aos temas, percentual mais expressivo que o do PDT e igual ao dos partidos dos presidenciáveis Guilherme Boulos (PSol) e Manuela D;Ávila (PCdoB), os mais à esquerda no espectro político.

A Rede também protagonizou discursos homéricos contra a reforma da Previdência quando o projeto estava na Câmara, atuação bastante descolada do que defende a equipe econômica que coordena a campanha de Marina ; que, nas palavras do analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), é ;liberal até a medula;.

Segundo Queiroz, em um governo Marina Silva, o que se espera é que o projeto econômico seja mais aberto ao mercado e com razoável espaço para privatizações, longe do que defendem os atuais parlamentares da Rede. ;Se for eleita, o mais provável é que ela se alinhe mais à direita que à esquerda;, acredita o especialista. As evidentes diferenças entre Marina candidata e a atuação da Rede no Congresso são sintoma de uma candidatura que ;traz esperança, mas ainda não traz confiança;, diz Queiroz. (AA)

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