Paramilitares matam alunos

Paramilitares matam alunos

postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Reprodução/Twitter)
(foto: Reprodução/Twitter)


Gerald Vásquez, 20 anos, estudante técnico de construção civil, tombou depois de levar um disparo certeiro contra a cabeça. Sobre o corpo colocado em uma mesa, os colegas da Universidade Nacional Autônoma de Nicarágua (UNAN) choraram. Outro jovem, cujo nome não tinha sido revelado até o fechamento desta edição, foi abatido atrás de uma barricada, dentro da instituição de ensino, enquanto os alunos permaneciam entrincheirados. Pouco depois do meio-dia de sexta-feira (15h em Brasília), policiais de choque e paramilitares invadiram a UNAN para desalojar os manifestantes que permaneciam no local desde o início dos protestos. ;Querem nos matar!”, ;Estamos cercados!”, gritavam os estudantes, desesperados, em meio ao barulho das balas, nos momentos de maior tensão. ;Vamos morrer aqui. Mãe, me perdoa, estou fazendo isso para defender minha pátria;, repetiam outros.

Na tarde de ontem, dezenas de estudantes abandonaram uma igreja onde tinham se refugiado, ao lado do câmpus da UNAN. Libertados com a mediação da Igreja Católica, os jovens agradeciam, agitavam bandeiras da Nicarágua e, com o punho cerrado, saudavam as centenas de pessoas na rua que os ovacionavam. Os jovens foram levados em ônibus da paróquia da Divina Misericórdia à Catedral de Manágua. ;Quero reiterar o empenho da igreja local e da Santa Sé por seu pleno apoio ao diálogo nacional;, afirmou o núncio apostólico Stanislaw Waldemar Sommertag, na Catedral de Manágua, aonde acompanhou os jovens.

Além dos dois mortos, a repressão de ontem deixou 20 feridos ; em três meses, 270 pessoas manifestantes perderam a vida e 2 mil sofreram lesões. O cardeal nicaraguense Leopoldo Brenes declarou que ;o papa Francisco valoriza o diálogo, e todos estamos conscientes de que somente com a conversa se soluciona os problemas;. O cerco à igreja da Divina Misericórdia, no sudoeste da capital, começou na noite de sexta-feira, depois de um ataque de policiais e paramilitares à UNAN.

Os estudantes são a ponta de lança de um movimento opositor que protesta desde 18 de abril contra o presidente Daniel Ortega, a quem acusam de instaurar uma ditadura, com a sua esposa, Rosario Murillo, marcada pela corrupção e pelo nepotismo. Os confrontos entre partidários e opositores ao governo haviam deixado dois mortos e dezenas de feridos na sexta-feira, quando o país foi paralisado por uma greve geral decretada para exigir a saída de Ortega.





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