O método Zizou de recuperação

O método Zizou de recuperação

Como a osteopatia, que colocou o craque Zidane em campo na exibição de gala do título de 1998, ganhou profissional na comissão técnica da França e pode ajudar o país a conquistar o bi

Marcos Paulo Lima Enviado especial
postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Gabriel Bouys/AFP - 12/07/98)
(foto: Gabriel Bouys/AFP - 12/07/98)

Moscou ; Uma terapia que colocou o meia Zinedine Zidane em campo, há 20 anos, na final da Copa do Mundo de 1998 contra o Brasil, é um dos trunfos na comissão técnica da França nos últimos anos ; a ponto de um profissional especializado fazer parte da delegação na Rússia.

Autor de dois dos três gols no triunfo sobre a Seleção Brasileira duas décadas atrás, o jogador eleito três vezes melhor do mundo recorreu à osteopatia para jogar sem dor contra o Brasil. Criada por Andrew Taylor Still, a terapia defende que o corpo é capaz de criar seus próprios medicamentos contra doenças quando está equilibrado em sua estrutura, conta com condições ambientais favoráveis e nutrição adequada. Resumindo: evita o excesso de remédios.

Depois da exibição de gala contra o Brasil em 1998, Zidane revelou que a presença dele em campo era resultado do trabalho do osteopata francês Philipe Boixel. O profissional atende Zidane desde 1994 e tem uma vasta lista de clientes no futebol. Entre eles, Karim Benzema.


;O meu osteopata tratou dores lombares e tendinites. A osteopatia ajudou a acelerar o processo da cura da minha entorse de joelho em 1999. O fato de tratar de forma natural, com menos medicação e anti-inflamatório, permite se preservar após a aposentadoria e envelhecer melhor;, defendeu o Zidane em uma entrevista após a eliminação na Copa de 2002.

Vinte anos depois, a revolução de Zidane facilita a vida dos jogadores. Eles não precisam sair da concentração em busca de um profissional da área. A comissão técnica da França tem um osteopata de plantão. Jean-Yves Vandewalle, 52 anos, é o responsável pelo tratamento dos 23 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps. Ele fez o mesmo trabalho, por exemplo, com a seleção de ginástica da França nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000 e Londres-2012.

O profissional foi contratado pela Federação Francesa em 2012. Desde então, viaja a tiracolo com a comissão técnica. Na fase de mata-mata, por exemplo, tem sido comum a França poupar jogadores de treinamentos pesados. Parte da decisão tem a ver com o trabalho do osteopata. ;Com a experiência, eu sei melhor como lidar com o cansaço que esse tipo de competição exige. Estaremos juntos pelo menos 55 dias, o que é um tempo muito longo;, disse Jean-Yves Vandewalle, em junho, ao site NordLittoral, da cidade em que nasceu.

O reforço da comissão técnica de Didier Deschamps explica como funciona o trabalho dele. ;Com a equipe médica, cuidamos dos jogadores para ajudá-los a eliminar a fadiga acumulada durante a temporada. Eu supervisiono o treinamento do ponto de vista médico. E, claro, comando as sessões de cuidados depois dos treinos;, conta o osteopata.

Trabalho
Jean-Yves Vandewalle fazia parte da comissão técnica no vice da Euro-2016. À época, contou como funciona o trabalho. ;Minha função é libertar os jogadores de certas tensões musculares ou bloqueios nas articulações. O objetivo é promover a recuperação do jogador e tratar os problemas para o próximo jogo. Devemos agir rapidamente. O ritmo é muito forte;, relatou.

Durante a Euro, o profissional iniciava o atendimento depois do café da manhã. ;As sessões duram mais ou menos dependendo da condição física de cada jogador;, afirmou na época. Portanto, se alguém sentiu dores antes do duelo com a Croácia, que procure Jean-Yves Vandewalle o mais rápido possível para a partida de hoje.




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