Combinou com os russos?

Combinou com os russos?

Por Marcos Paulo Lima
postado em 15/07/2018 00:00
Pela posse da Copa

Uma das virtudes da França é a capacidade de reinvenção. Há dois anos, o time de Didier Deschamps foi vice-campeão da Eurocopa, em casa, jogando no estilo Pep Guardiola: com mais posse de bola do que o adversário, tomando as rédeas do jogo, pressionando no campo inimigo. Assim, eliminou Itália e Alemanha na fase de mata-mata. O estilo só não deu certo na decisão contra Portugal. A seleção sufocou os lusitanos durante todo o tempo normal e a prorrogação. Resultado: perdeu por 1 x 0.

A França teve média de 53% de posse de bola na Eurocopa e ficou sem o troféu. A frustração fez Didier Deschamps mudar os planos para a Copa do Mundo. Basta ver os números da fase de mata-mata. A média caiu para 46% nas vitórias sobre Argentina (oitavas), Uruguai (quartas) e Bélgica (semifinais). No triunfo sobre os Diabos Vermelhos, desabou para 40%. Os campeões de 1998 jogaram por uma bola ; a cobrança de escanteio de Griezmann na cabeça do zagueiro Umtiti. Essa é a França que vai encarar a Croácia na decisão deste domingo no Estádio Luzhniki, em Moscou.

A mudança de conceito passa pela reciclagem do elenco de 2016 para 2018. Dos 23 jogadores convocados por Didier Deschamps para a Copa, apenas nove foram vice-campeões na Eurocopa: os goleiros Lloris e Mandanda, os zagueiros Rami e Umtiti, os volantes Kanté e Pogba, o meia Matuidi e os atacantes Griezmann e Giroud.

Isso explica a resposta irônica de Griezmann às críticas do goleiro belga Courtois ao estilo de jogo da França. O atacante afirmou que o goleiro jogou e ganhou títulos no Atlético de Madrid, está no Chelsea e acha que veste a camisa do Barcelona na Bélgica. A seleção está fechada com a mudança de conceito proposta por Deschamps. Abre mão de jogar bonito pela conquista do título. O próprio Griezmann topou a mudança. Artilheiro da Eurocopa, passou a jogar como coadjuvante de Mbappé e de Giroud, praticamente na função de meia, em uma linha de três armadores no 4-2-3-1. Na Eurocopa, a França era configurada no sistema 4-4-2.

Nas oitavas, a França parou Messi. Na semi, reduziu os espaços dos mentores Hazard e De Bruyne e do centroavante Lukaku. A última fronteira para o título é anular Modric. Papel do volante Kanté. A conquista do bicampeonato passa pelos pés do símbolo da ;revolução francesa;: em vez da bola, a Copa.



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