Futurismo também presente

Futurismo também presente

postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Alain Jocard/AFP)
(foto: Alain Jocard/AFP)
A holandesa Iris Van Herpen, por sua vez, continua a ultrapassar os limites do design de moda, assim como Galliano. Em suas criações, a biologia, a física e a tecnologia se unem para dar vida a peças futuristas e desejadamente inovadoras, com a combinação de diferentes materiais na construção do vestuário dentro de sua visão estética.

A jornalista e consultora de moda Regina Guerreiro comentou o trabalho da estilista nas redes sociais e afirmou que a única possibilidade de futuro para a moda é a inovação de matéria-prima, fator que Iris tem investido e impressionado o público dentro da alta-costura.

;Ela (Iris) é a única criadora agora que ;comete; uma mudança real na história da moda. Seu ateliê não é bem um ateliê, é uma oficina. A função da alta-costura sempre foi a de laboratório do futuro. E esse tal laboratório fazia tempo que não estava funcionando;, digitou Regina.

Dessa forma, entende-se que a moda na alta-costura não sobrevive só de encomendas superfaturadas feitas por um grupo seleto, mas de conceitos e apresentações simbólicas que servem como estratégia de consolidação das essências das grifes no mercado da moda.

O professor e pesquisador Marco Antônio Vieira esclarece que a inacessibilidade para a maioria dos consumidores é o que constitui a lógica da alta-costura. ;Marcas como Louis Vuitton e Dior usam a alta-costura como uma ferramenta de espetaculização de sua capacidade de produzir luxo. Assim, ao comprar um perfume (de uma das grifes), uma mulher pode, sem gastar aquilo que se cobra por um modelo de alta-costura, aproximar-se da ;aura; que a exclusividade associada à alta-costura daquela maison é capaz de criar e emanar.;

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte


Apesar da sobriedade das coleções, Clare Waight Keller carimba sua identidade minimalista na Givenchy e conquista o público com peças extremamente bem-feitas, que refletem uma expertise manual dos artesãos do ateliê da grife.


A noiva topless de Jean Paul Gaultier dialoga com o conceito da coleção dele nesta temporada e representa um manifesto de liberdade e rompimento de padrões.


Pierpaolo Piccioli vem deixando sua marca na Valentino a cada temporada. Desta vez, além dos volumes um tanto exaustivos que tem apresentado em suas criações, o estilista ousou no cabelo estilo anos 1960 das modelos, que fez total diferença (e sucesso) na composição do desfile.


Noivas negras

Uma particularidade dos desfiles de alta-costura é que eles sempre finalizam com uma proposta de vestido de noiva. A cada temporada, a expectativa se vira para quem vai desfilar no grand finale. Neste mês, a Chanel deu espaço para a modelo sudanesa Adut Akech. A modelo ; que também desfilou para Valentino, Givenchy, Fendi e Dior ; é a segunda negra a fechar um desfile da Chanel em 14 anos. Em 2004, apenas a também sudanesa Alek Wek esteve na mesma posição. Especulam os críticos que a razão disso vem de o próprio Karl Lagerfeld, diretor-criativo da marca, não ser um superfã da diversidade nas passarelas.

Além da quebra de tradicionalismo, Adut Akech representa um sonho de várias meninas como ela. Nascida no Sudão do Sul, mudou-se para a Austrália aos 7 anos de idade, como refugiada. Fez sucesso como modelo desde cedo e hoje, aos 18, é a new face mais procurada pelas grifes, sendo a favorita de Yves Saint Laurent por duas temporadas seguidas.

Em um post no Instagram, Adut se expressou dizendo que ser a noiva da Chanel foi um sonho realizado. ;Não acredito que fiz história sendo a segunda noiva negra da alta-costura da Chanel. Essa é a minha mais orgulhosa conquista. Esse foi um momento especial que eu lembrarei para sempre enquanto eu viver. Agradeço a todos que estiveram ao meu lado e me apoiando sempre. Vocês realmente me motivam a ir atrás dos meus sonhos todos os dias.;

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação