Muitos dedos de prosa e um cotidiano de poesia

Muitos dedos de prosa e um cotidiano de poesia

Escritores, poetas, ensaístas e historiadores sempre se debruçaram sobre Brasília. Palavras que homenageiam, elogiam, criticam, descrevem e controem um vasto acervo literário

Cristine Gentil Especial para o Correio
postado em 15/07/2018 00:00
;Era um rabisco e pulsava;, disse o poeta Carlos Drummond de Andrade sobre o projeto de Lucio Costa para o concurso do Plano Piloto. Não resta dúvida de que, desde sempre, Brasília foi poesia. Não são poucos os que transformaram a capital da República em rimas, estrofes, versos. Também em contos, crônicas, frases inspiradoras.

Para o bem e o mal, Brasília foi narrada. Muitos escritores de renome rascunharam suas impressões sobre a cidade. Como Clarice Lispector: ;...Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia ; minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério. ...Quando morri, um dia abri os olhos e era Brasília. Eu estava sozinha no mundo;;

Cenário ou inspiração, veneração ou crítica, a palavra sobre Brasília é rica. E vem de muitas vozes. De migrantes ou brasilienses; de pioneiros ou jovens promessas da literatura. É sobre eles que falamos no sétimo capítulo da série Brasília, patrimônio vivo: os protagonistas da história da capital.


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