O mundo encantado de Cassiano Nunes

O mundo encantado de Cassiano Nunes

postado em 15/07/2018 00:00
 (foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press - 30/6/05)
(foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press - 30/6/05)


Consegue imaginar uma casa que, na verdade, é uma biblioteca? Eram tantas e tantas estantes, tantos e tantos livros na residência onde morava, na 711 Sul, que ficava impossível imaginar o tamanho do acervo de Cassiano Nunes. Ele vivia entre livros. Hoje sabemos: 14 mil volumes, doados à Biblioteca Central da UnB, que desde 2008 tem um espaço dedicado a ele. Entre eles, primeiras edições e obras autografadas de renomados brasileiros, além de uma coleção com livros de Monteiro Lobato, que foi objeto de estudo e adoração de Cassiano.

Poeta, escritor, crítico literário, conferencista, com passagens por universidades internacionais, Cassiano Nunes veio de Santos, São Paulo, para Brasília em 1966, a convite do amigo Carlos Drummond de Andrade. Entre 1966 e 1991,o filho de imigrantes portugueses deu aulas na Universidade de Brasília. Mesmo depois de sua aposentadoria, continuou próximo da universidade. Em 2002, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UnB.

Algumas de suas obras são Prisioneiro do Arco-Íris (1962), Jornada (1972), Madrugada (1975), Jor;na;da Lírica (1984) e Poesia II (1998), peças inéditas e reflexões breves chamadas pelo autor de Grafitos nas Nuvens (1995), que foram publicadas no Correio Braziliense. Cassiano gostava de caminhar por Brasília, onde viveu os últimos 40 anos da vida, sempre recebendo jovens e promovendo ricas trocas de experiências com escritores. Naturalmente, a cidade apareceu nos versos dele. Cassiano morreu em 2007, aos 86 anos. (C.G.)




;Há vinte anos,
quando aqui cheguei

no Planalto Central,

em Brasília,
ainda encontrei

intacta,
na tua verdade pioneira,

na tua realidade rude, mas fecunda:
áspera imagem, do
;far west; brasileiro, e Cidade Livre!

Livre! Haverá adjetivo

com mais oxigênio e glória?;

(Cassiano Nunes)









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