Negociação para o futuro

Negociação para o futuro

» Rodolfo Costa
postado em 28/07/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 6/6/18)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 6/6/18)


A indefinição para a escolha do vice de Geraldo Alckmin, do PSDB, pode colocar em xeque a recondução do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) à Presidência da Câmara. A possibilidade de a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) ser a segunda no comando da chapa presidencial põe em risco as chances de o correligionário presidir a Câmara por mais dois anos.

Entre caciques do centrão, a vitória nas urnas é a prioridade nestas eleições. E para atingir este objetivo, a definição do vice é uma peça-chave. Caso este cargo seja ocupado por um filiado do DEM, as legendas reconhecem que o escolhido pelo blocão para presidir a Câmara não poderá ser Maia ou outro membro do partido. Por isso, é real a possibilidade de o democrata ter a recondução preterida.

A definição do vice de Alckmin ainda está sendo discutida pela cúpula do centrão. A prioridade é de que seja escolhida uma mulher. Por esse motivo, Tereza é bem cotada e pode complicar as aspirações de Maia de presidir a Câmara no próximo biênio. Ainda há, no entanto, uma chama de esperança para o democrata. O nome da correligionária não é consenso na cúpula do DEM.

Caso a indicação de Tereza seja descartada, outros nomes despontam como opção para o cargo de vice na chapa tucana, sob indicação do PP: a senadora Ana Amélia (RS), a vice-governadora do Piauí, Margarete Coelho, e Luana Baldy, mulher do ministro das Cidades, Alexandre Baldy.

A correlação entre a permanência de Maia e a escolha do vice de Alckmin é refutada por caciques do DEM. O vice-líder do partido no Senado e ex-presidente nacional do partido, José Agripino, diz que não há conexão. ;É algo sem fundamento. Essa pauta não participou dos entendimentos para apoio a Alckmin. É pura especulação, não tem nada a ver uma coisa com a outra;, declarou.

Nordeste

A dança das cadeiras pela definição de vice decorre de uma negativa do empresário Josué Alencar, filiado ao PR. Filho do ex-presidente José Alencar, ele rejeitou a ideia de ocupar o posto na chapa. Com a negativa, outros nomes voltaram para a pauta, como o do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação do presidente Michel Temer ; outro nome que colocaria em risco a recondução de Maia.

O nome de Mendonça é bem avaliado por uma ala tucana, admite um interlocutor ligado à coordenação política de Alckmin. ;Ele é alguém que pode agregar votos e capilaridade no Nordeste;, sustentou. O partido deseja um nome que agregue voto, seja do Nordeste ou de um dos principais colégios eleitorais, e não tenha situação política ;difícil;, como alianças regionais com partidos de oposição ao PSDB. No entanto, o nome de Mendonça encontra resistência entre caciques tucanos.

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