Tantas palavras

Tantas palavras

Por José Carlos Vieira Esta seção circula de terça a sábado/ cartas: SIG, Quadra 2, Lote 340 / CEP 70.610-901
postado em 28/07/2018 00:00
Passeio ; 20

De um exílio passado entre a montanha e a ilha

Vendo o não ser da rocha e a extensão da praia.

De um esperar contínuo de navios e quilhas

Revendo a morte e o nascimento de umas vagas.

De assim tocar as coisas minuciosa e lenta

E nem mesmo na dor chegar a compreendê-las.

De saber o cavalo na montanha. E reclusa

Traduzir a dimensão aérea do seu flanco.

De amar como quem morre o que se fez poeta

E entender tão pouco seu corpo sob a pedra.

E de ter visto um dia uma criança velha

Cantando uma canção, desesperando,

É que não sei de mim. Corpo de terra.


Hilda Hilst


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