Paulo Preto e mais 32 denunciados

Paulo Preto e mais 32 denunciados

postado em 04/08/2018 00:00

A força-tarefa da Operação Lava-Jato em São Paulo denunciou ontem o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e outros 32 investigados por cartel e fraude à licitação no Rodoanel Sul e sistema viário metropolitano da capital paulista. O cartel teria operado entre 2004 e 2015 ; governos Geraldo Alckmin e José Serra, do PSDB. Os ex-governadores não são citados na denúncia. Por meio da assessoria, Serra informou que não vai comentar o caso. Procurada, a assessoria de Alckmin não respondeu até a conclusão desta edição.

Além de Souza, a denúncia do Ministério Público Federal aponta a participação de mais três agentes públicos: o atual Secretário de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Dario Rais Lopes, que, na época dos fatos denunciados, foi presidente da Dersa e secretário estadual de Transportes; o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mario Rodrigues Júnior, que foi diretor de engenharia na Dersa entre 2003 e 2007; e Marcelo Cardinale Branco, que ocupou a presidência da Empresa Municipal de Urbanização de São Paulo (Emurb) e foi secretário municipal de Infraestrutura e Obras entre 2006 e 2010.

Souza foi preso duas vezes este ano. O ex-diretor ganhou liberdade após dois habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

A Lava Jato requereu que a denúncia seja distribuída por dependência à 5; Vara Federal Criminal de São Paulo, pois o caso envolve o trecho sul do Rodoanel e a atuação de Souza, réu em ação penal por desvio de R$ 7,7 milhões em recursos e imóveis destinados ao reassentamento de desalojados por obras viárias da Dersa na região metropolitana de São Paulo ; trecho sul do Rodoanel, prolongamento da Avenida Jacu Pêssego e a Nova Marginal Tietê.

O cartel foi delatado por oito executivos da construtora Odebrecht, que dele participava, por meio de dois acordos de leniência firmados com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em 2017 ; um sobre o Rodoanel Sul e outro sobre o Sistema Viário Metropolitano. Os acordos foram firmados na sede do Ministério Público Federal em São Paulo, que, desde então, conduziu as investigações criminais relativas aos fatos narrados.

A Dersa e o governo de São Paulo afirmaram que ;são os grandes interessados no andamento das investigações; e que todas as obras ;foram licitadas obedecendo-se à legislação em vigor;. A Prefeitura de São Paulo disse que está colaborando com as investigações. A Odebrecht afirmou que ;continua cooperando com as autoridades;.

Dario Rais Lopes afirmou que vai aguardar a notificação sobre a denúncia e que prestará esclarecimentos diretamente ao Ministério Público Federal. O advogado Daniel Bialski, que defende Mário Rodrigues, disse que ;a denúncia traz uma história amparada em ilações, mas, efetivamente sem qualquer comprovação;. As defesas de Paulo Vieira de Souza e Marcelo Cardinale Branco não responderam ao contato da reportagem até a conclusão desta edição.

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