Imagens de segurança mostram feminicídio

Imagens de segurança mostram feminicídio

Filmagem da garagem e elevador do edifício onde Tatiana Spitzner morava com o marido registra agressões sofridas pela advogada e a mudança da cena do crime. Ministério Público do Paraná deve oferecer denúncia contra Manvailer na segunda-feira

» Anderson Costolli
postado em 04/08/2018 00:00
 (foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)


A Polícia Civil de Guarapuava (PR) e o Ministério Público do Paraná (MPPR) tiveram acesso ontem às imagens de segurança do prédio onde morava a advogada Tatiana Spitzner, 29 anos, e o marido dela, Luís Felipe Manvailer. O Correio teve acesso às filmagens na íntegra. Em 22 de julho, Tatiana foi encontrada morta, dentro da casa onde vivia com Luís Felipe, após cair do 4; andar do prédio onde morava, na cidade paranaense. Ele foi preso preventivamente, por feminicídio.

Nas imagens, é possível ver o casal chegando em casa, por volta das 2h35. A violência teria começado ainda do lado de fora do prédio, dentro do carro da família. Em outro momento, já no estacionamento do condomínio, as imagens das câmeras de segurança mostram mais agressões. Luís Felipe retira Tatiana do carro, com truculência. Depois, pega a mulher pelos cabelos e coloca o dedo em riste na face da jovem, enquanto fala algo. Ele entra no carro e estaciona na vaga.

Uma terceira câmera, já de outro ângulo, flagra a vítima correndo do agressor, em direção ao elevador. As imagens são fortes. Ela tenta se desvencilhar incontáveis vezes, enquanto é agarrada e jogada contra as paredes do ascensor. Não há áudio nos vídeos, mas é nítido o desespero de Tatiana, que grita, possivelmente por socorro.

O vídeo mostra o exato momento da queda da advogada, bem como o suspeito carregando o corpo dela de volta ao apartamento. Em outro momento, sem a jovem, Manvailer aparece com outra camiseta. Na camisa social que usava anteriormente havia manchas de sangue. Minutos depois ele foge, pela garagem, com o carro dele. Luís Felipe foi preso naquela madrugada, após se envolver em um acidente na Rodovia BR 277, sentido Foz de Iguaçu, a 300km de Guarapuava. Segundo a polícia, o suspeito tentava chegar ao Paraguai. Manvailer alegou, na audiência de custódia, que saiu porque não conseguia esquecer a imagem da mulher ;pulando a sacada;.

De acordo com o depoimento do acusado, a discussão teria ocorrido porque a advogada, durante a comemoração do aniversário dele, havia pedido para ver o telefone. ;A partir dali começaram as discussões e, na casa do casal, a discussão aumentou o tom, a mulher teria ido para cima dele, que a imobilizou no sofá, e, segundo o acusado, Tatiana tomou o rumo da sacada e teria se atirado de repente;, disse o delegado Francisco Sampaio, sobre o depoimento.

Em coletiva de imprensa, na tarde de ontem, os promotores responsáveis pela investigação disseram que ;não existem dúvidas da prática de feminicídio. As imagens do circuito interno e externo demonstram que, no dia dos fatos, o professor agrediu a vítima de forma violenta até culminar na sua morte;. Outra questão levantada pelos promotores foi o fato de Luís Felipe ter modificado a cena do crime, carregando o corpo da vítima, retirando do local da queda, além de limpar os vestígios de sangue no corredor e no elevador.

O MPPR deve oferecer a denúncia contra o acusado na segunda-feira, quando o caso passará a ser analisado pela Justiça.

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