Petrobras tem o maior lucro desde 2011

Petrobras tem o maior lucro desde 2011

No primeiro semestre, estatal acumula ganho de R$ 17 bilhões - 257% mais alto do que o do mesmo período do ano passado. Aumento do preço do petróleo e valorização do dólar foram os principais responsáveis pelo resultado

» Simone Kafruni
postado em 04/08/2018 00:00

A Petrobras surpreendeu o mercado ontem ao anunciar o maior lucro desde 2011. No segundo trimestre de 2018, a companhia registrou ganhos de R$ 10,07 bilhões, quase 32 vezes o resultado de igual período de 2017, que somou R$ 316 milhões. No primeiro semestre do ano, a petroleira acumula lucro líquido de R$ 17 bilhões, também o melhor desempenho para o período desde 2011 ; alta de 257% em relação aos R$ 4,8 bilhões apurados nos seis primeiros meses de 2017.

O aumento do preço do petróleo no mercado internacional e a variação cambial, com a valorização do dólar frente ao real, foram responsáveis pelo resultado. Enquanto o barril do brent se valorizou 86% desde o início do ano passado, a moeda norte-americana teve alta de 8% no período. Para os analistas, os números positivos, acima da expectativa do mercado, demonstram que a política de preços alinhada às práticas internacionais é acertada.

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), o valor do barril a quase US$ 75, colaborou para o lucro da estatal. ;Quando o petróleo está caro é normal uma petroleira lucrar mais. Tanto que o segmento que mais contribuiu foi o de exploração e produção. Mas o abastecimento também teve números positivos, o que mostra que a política de preços no mercado doméstico e o ganho de participação foram fundamentais para o desempenho;, ressaltou.

Ao divulgar as demonstrações financeiras, o presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, garantiu que a estatal vai manter a política de ajuste diário de preços da gasolina e do diesel, acompanhando as variações do mercado internacional, apesar de o governo ter sido obrigado a subsidiar o valor de venda nos postos para acabar com uma greve dos caminhoneiros realizada no fim de maio. ;Não alteramos e não vamos alterar a política de preços;, assegurou.

A estratégia permitiu à estatal reduzir o endividamento líquido em 13% em relação a dezembro de 2017, para US$ 73,6 bilhões. Com isso, o total da dívida passou a corresponder a 3,23 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda ajustado), comparado a 3,67 no fim de 2017. A meta da empresa é chegar ao fim do ano com o indicador em 2,5. ;A Petrobras vai seguir apresentando números mais fortes ao longo do segundo semestre, com sua alavancagem financeira convergindo gradualmente para dentro da meta de 2,5 vezes dívida líquida/ Ebitda no fim do ano;, destacou a analista-chefe da Coinvalores, Sandra Peres.

Superação

A Petrobras mostrou os resultados de uma companhia que voltou aos trilhos, porque superou as dificuldades com os desinvestimentos, paralisados após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandoswski deferir liminar que proíbe às estatais venderem ativos sem aprovação do Congresso, opinou Livia Medeiros Amorim Veloni, especialista em óleo e gás da área regulatória do escritório Souto Correa Advogados. ;O resultado poderia ter sido ainda melhor sem a liminar;, destacou.

A meta de desinvestimentos até o fim do ano ficou ;muito mais desafiadora; a partir da decisão do STF, admitiu Ivan Monteiro. Segundo o presidente da empresa, a previsão é de que entrem mais US$ 2 bilhões neste ano, que se somarão a outros US$ 5 bilhões já contabilizados. Assim, o total de desinvestimento em 2018 deve alcançar US$ 7 bilhões, distante do objetivo de US$ 21 bilhões. ;Uma das maiores contribuições teve o processo paralisado, mas vamos manter a meta porque há ativos importantes que estão em fase final de negociação de venda;, afirmou.

Caixa


Para Gabriel Francisco, analista de petróleo e gás da XP Investimentos, os resultados da petroleira ficaram acima das estimativas, sobretudo a posição de caixa, de US$ 18,1 bilhões no fim do segundo trimestre. ;Elogiamos a geração de caixa, mas ressaltamos que nem todas as receitas foram registradas em regime de caixa, uma vez que a empresa ainda não recebeu subsídios para o diesel da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);, assinalou. A Petrobras contabiliza R$ 871 milhões como saldo da subvenção do óleo diesel, informou o diretor Financeiro, Rafael Grisolia. ;Até 30 de junho, o saldo da subvenção, já reconhecido no resultado financeiro, é de R$ 590 milhões;, disse.

Apesar do bom resultado, no primeiro semestre, houve redução no volume de vendas no Brasil, principalmente da gasolina, em função de maior concorrência do etanol e do aumento do teor de biodiesel na mistura. As vendas foram de 1,72 milhão de barris por dia (bpd), menores que em igual período do ano anterior, de 1,8 milhão de bpd, sendo que da gasolina, particularmente, caíram de 465 mil bpd para 408 mil bpd no primeiro semestre.


  • Antecipação aos acionistas

    O resultado positivo vai permitir à Petrobras antecipar o pagamento aos acionistas mais uma vez este ano. A distribuição será na forma de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,05 por ação para ambas as classes, ordinárias e preferenciais. O pagamento, no valor total de R$ 652,2 milhões, ocorrerá em 23 de agosto de 2018. O valor acumulado das antecipações no primeiro semestre é de R$ 1,3 bilhão. Em maio, a empresa já pagou R$ 652,2 milhões aos acionistas.

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