Glamour, diversão e luxo

Glamour, diversão e luxo

postado em 04/08/2018 00:00
O diferencial do Brasília Palace não estava só na arquitetura, que seguia o mesmo padrão dos prédios com pilotis da capital, mas também na experiência oferecida aos visitantes. Todos os quartos ficavam posicionados do mesmo lado. A estrutura, em formato de caixote e projetada por Oscar Niemeyer, permitia a todos os hóspedes usufruir de amplos apartamentos, largas e privativas varandas, além de uma vista privilegiada do Lago Paranoá. A extensa área verde tinha árvores, quadras, piscina com bar e campo de futebol. A beleza do espaço serviu de cenário para inúmeros casamentos e festas.

Dois painéis de Athos Bulcão, as primeiras obras de arte da capital, embelezavam o espaço. A lavanderia, o buffet e o restaurante francês Tour d;Argent ; onde se ofereciam charutos, licores e conhaque aos clientes após as refeições ; ficaram famosos entre a elite da capital. Hoje, apenas o restaurante ; agora italiano ; permanece acessível ao público.

O pintor e arquiteto Marcos França, 76 anos, conta que, nos anos 1960 e 1970, Brasília carecia de locais para entretenimento. ;Eu sempre ia nadar lá, porque o hotel tinha a única piscina de Brasília. Era muito bonita e com curvas. Isso foi logo quando cheguei, em 1960, aos 18 anos. Eu estudava no Caseb e, nos fins de semana, reuníamos um grupo de colegas e íamos para lá. Não tínhamos acesso à parte dos hóspedes, encontrávamos com eles mais na boate Golden Room e no restaurante;, relata Marcos, que assistiu a um show de Vinicius de Moraes e Toquinho em uma das idas ao local.

Exclusividade

O Brasília Palace tinha tardes dançantes aos domingos, shows, peças de teatro e bailes. Às sextas e sábados, um conjunto de bailarinas se apresentava no salão principal. O réveillon e o carnaval eram celebrados com festas à beira-lago. O glamour preenchia a atmosfera do hotel, point de artistas, atletas e dos brasilienses. Por lá passaram Raul Seixas, Wanderléa, Che Guevara, entre outros famosos.

O empreendimento também era famoso pelos serviços exclusivos. Ele dispunha de salão de beleza, rouparia e sala de convenções. A área de lazer, o restaurante e a boate do hotel eram onde políticos, jornalistas, funcionários do governo e brasilienses aproveitavam os fins de semana.

Engenheiro aposentado, Kleber Farias, 85, guarda lembranças especiais de momentos que viveu no local. Ele estava no dia em que Tom Jobim e Vinicius de Moraes tocaram a primeira música composta na cidade. ;Brasília só tinha esse lugar para hospedagem de convidados do presidente JK. Vinicius e Tom foram para o bar do hotel depois de sair do Catetinho, pediram um uísque e, no momento em que o pianista do local foi ao banheiro, Tom tocou a música Água de Beber;, conta Kleber. Ele completa a história com elogios à arquitetura e à decoração. ;Ninguém meteu o dedo na construção do hotel como Oscar. Era de alto nível, sempre com música para os convidados. Pessoas de todo o mundo ficavam hospedadas lá, porque era um hotel impecável.;

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