Márcio Cotrim

Márcio Cotrim

marciocotrim@facbrasil.org.br www.marciocotrim.com.br
postado em 04/08/2018 00:00
Um gosto muito pessoal




É comum o cronista ser indagado sobre suas preferências pessoais. Faz lembrar aqueles questionários infanto juvenis que respondíamos quando alguma coleguinha trazia álbum de recordações e nos pedia opinião sobre quase tudo.

Qual a mais bonita atriz de cinema, qual o nosso prato favorito (não valia Colorex), como anos depois uma candidata a miss respondeu, crente que estava abafando;

Coisas assim que animavam o recreio e viraram relíquias escolares que um dia reveríamos com toda a saudade do mundo.

Agora é a vez de marmanjas leitoras e marmanjos leitores que, mesmo coroas, têm indagações parecidas. Permita-me atender, honrado pela atenção que estas linhas possam ter despertado nesses espíritos prenhes de curiosidade.

Comecemos pela música. Claro, a de boa qualidade, clássica ; minha predileta ; ou popular. Todo Chopin, sobretudo seu Concerto n; 1. De Beethoven, a monumental Nona e sua preciosa Ode à Alegria ; hoje oficializada como Hino da Europa e tida como a mais perfeita composição musical de todos os tempos. Ainda do mestre, o segundo movimento da Sonata Patética.

A quinta de Tchaikowsky, particularmente o terceiro movimento, classificado por Renato Machado como ;a quintessência da música;. Dele, ainda a valsa da suíta Quebra Nozes,o delicado Andante Cantábile e seu vigoroso concerto para violino. De Rachmaninoff, o Concerto n; 2, com destaque para a sublime nota-clímax do terceiro movimento.

De Liszt, Os Prelúdios e, claro, a esfuziante Rapsódia Húngara n; 2. De Wagner, as aberturas de Rienzi, Tannhauser, Lohengrin e a patética beleza do final de Tristão e Isolda. De Grieg, o Peer Gynt, menção especial para a Canção do Solveig. De Sibelius, O Cisne de Tuonela e a arrebatadora Finlândia. De Mozart, os concertos 40 e 41 e de von Suppé a abertura de O Poeta e o Camponês.

O concerto Saint Preux. De Carlos Gomes, a protofonia de o Guarany, a canção quem Sabe e a Alvorada da época Lo Schiavo,que abria majestosamente a programação diária da Super Rádio FM ; o despertar do Brasil na voz de seus pássaros ; bela bolação do inesquecível Mário Garófalo. Mais tarde, no encerramento, os dedos mágicos de Cristina Ortz executando a formidável Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro, bálsamo para sonhos seminais.

Nessa prazerosa garimpagem, chego à música ligeira e penetro do reino da valsa. Lá está Strauss com Contos dos Bosques de Viena e a óbvia Danúbio Azul. Mas guardo um lugar especial para Lehar na Viúva Alegre, em Eva e no Conde de Luxemburgo.

E que dizer do tango, que alia erotismo e arroubo a toques da aguda melancolia? Lá residem, em meu panteão musical, Uno, Caminito, Percal e Adiós Muchachos.

Na França eterna e encontro La Mer, de Trenet, também comovente em Douce France - ;cher pays de mon enfance;, Que Reste-t-il de nos Amours, a melodia-tema de Jeux Interdits como o violão de NarcisoYepes, Un Jour tu Veras, a fascinante Ne me Quitte Pas, de Brel e a coleção de Aznavourian, a começar por Tous les Viages de L;Amour.

De ópera, o grande e inimitável Verdi e o devastador Wagner.

Na velha e loura Albion, Greensleeves, Amazing Grace e a telúrica trilha sonora de The Quiet Man regada a Guinness pubs de Inisfree.

Na Ibéria, joias musicais lusitanas como Mouraria, o divertido fado Ó Tempo Volta pra Trás e Foi Deus e o próprio hino nacional português. Da Espanha, Malagueña e toda obra de Rodrigo, com destaque para Aranjuez, sem esquecer De Falla.

Na Itália, as comoventes canções napolitanas do tipo Torna a Surriente, Santa Lucia e Marechiari. Depois a Hungria com sua bela música cigana nas Czardas de Monte, as russas Kalinka e a pungente Barqueiros do Volga, passando, com deslumbrante, pelo grego Zorba.

Afinal, nesta primeira leva, a música norte-americana, fascinante universo que nos leva a Gershwin e à incomparável safra de Jerome Kern, Rchard Rodgers, Lorenz Hart, Hoagley Carmichael, Cole Porter, Oscar Hammerstein, Irvig Berlin, Vincent Youmans, Sigmund Romberg e Sousa, todo um repertório que canta a alma de Tio Sam no que ela tem de mais profundo.

Nosso passeio musical prosseguirá, embalado por eflúvios criativos que fazem a vida valer ser vivida.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação