Sem ajuda do campo

Sem ajuda do campo

» ROSANA HESSEL
postado em 08/08/2018 00:00

O Produto Interno Bruto (PIB) deste ano não vai ter o impulso da agricultura, apesar de junho ter registrado um resultado melhor do que o esperado. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou suas estimativas, mas continua prevendo queda no PIB agrícola deste ano, depois da expansão de 13% em 2017, que contribuiu com alta de 1% no total de riquezas produzidas no ano passado. Com isso, em vez de a taxa negativa ser de 1,3%, será de 1%, conforme estudo divulgado ontem pelo Ipea.

;Foi uma mudança de projeção de safra do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apresentou uma leve melhora nas estimativas. Por conta dessa revisão, a queda foi menor em relação ao projetado anteriormente;, explicou José Ronaldo de Castro Souza Junior, diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea.

O levantamento considerou quedas de 0,6% na lavoura e de 2,5% na pecuária, enquanto os demais segmentos devem registrar aumento de 0,7%. Souza Junior lembrou que a lavoura cresceu 17,2% no ano passado e, portanto, o setor não deve contribuir da mesma forma no PIB deste ano. A mediana das estimativas do mercado coletadas pelo Banco Central no Boletim Focus para a expansão do PIB de 2018 é de e 1,5%, metade da taxa de 3% estimada em janeiro.

De acordo com o Ipea, apesar de a produção agrícola ter registrado um avanço de 2,6% entre maio e junho, no acumulado do segundo trimestre, houve uma queda de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2017. Entre os motivos, além de a produção deste ano ser menor do que a do ano passado, destaca-se a greve dos caminhoneiros, que represou a demanda e a oferta e afetou os preços dos produtos.

As exportações continuaram crescendo, tanto em volume quanto em valor, neste ano em comparação com 2017. Contudo, a nova tabela de fretes pode atrapalhar o desempenho dos embarques na segunda metade do ano.

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