Correio Econômico

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Está cada vez mais explícito na comunicação do BC que as eleições afetarão a trajetória de juros no Brasil, se um candidato sem compromisso com a continuidade das reformas e dos ajustes for eleito presidente da República

Antonio Temóteo antoniotemoteo.df@dabr.com.br - Interino
postado em 08/08/2018 00:00

Eleições definirão patamar de juros

A equipe do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, não faz comentários sobre eleições. Deixa isso claro todas as vezes em que é questionada sobre os impactos do processo eleitoral na economia e nos juros. Entretanto, o tema virou assunto recorrente nos encontros do mercado com os diretores da autoridade monetária.

A única forma pela qual o BC se manifesta publicamente sobre o assunto é quando afirma que ;uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária;.

Pois bem. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada ontem, a palavra ;reformas; foi citada oito vezes, o maior número desde julho de 2017.

Vale lembrar que aquela reunião do colegiado ocorreu após a divulgação das delações da JBS, que enterrou a possibilidade de votação da reforma da Previdência. Na ocasião, os diretores citaram a palavra 11 vezes. Está cada vez mais explícito na comunicação do BC que as eleições afetarão a trajetória de juros no Brasil, se um candidato sem compromisso com a continuidade das reformas e dos ajustes for eleito presidente da República. Para piorar, a autoridade monetária ainda alertou para os riscos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e da piora do ambiente internacional.

Diante das incertezas, mais uma vez, o BC não sinalizou os próximos passos da política monetária, mas deixou a porta aberta para uma eventual alta de juros. ;O maior nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para a condução da política monetária, o que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária;, destacou a ata.

Desafios

De mãos atadas no processo de debate sobre a reforma da Previdência, Goldfajn tem se esforçado para fomentar o debate sobre medidas microeconômicas voltadas a melhorar o ambiente regulatório no Brasil. Dois desses projetos estão na Câmara dos Deputados. O primeiro é o cadastro positivo, que depende de votação dos destaques no plenário da casa. O presidente do BC também tem buscado o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a proposta que altera a relação entre a autoridade monetária e o Tesouro Nacional.

Esse último projeto já foi votado no Senado Federal e a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara. A proposta cria uma reserva de resultados para equalizar ganhos e perdas do BC com operações cambiais, como os swaps, e a gestão das reservas. Com isso, serão reduzidos os fluxos de recursos entre BC e Tesouro. Pela sistemática em vigor, quando tem lucro com essas operações, o BC deve repassar os ganhos à Conta Única do Tesouro. O projeto está na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, onde é relatado pelo deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

Outro projeto importante para o BC em tramitação no Congresso, mas que não deve ser votado até o fim do ano é o que cria o depósito voluntário ; um instrumento alternativo às operações compromissadas para administrar a liquidez no mercado. O texto foi encaminhado ao Congresso em fevereiro, mas ainda não foi constituída comissão para tratar do tema.

Goldfajn se encontrou ontem com o senador Armando Monteiro (PTB-PE). O parlamentar afirmou que o projeto que cria a duplicata eletrônica. Relator da matéria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Monteiro afirmou que o texto será pautado na reunião de hoje do colegiado, seguindo, depois, para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

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