Aborto vai ao Senado

Aborto vai ao Senado

postado em 08/08/2018 00:00
 (foto: Eitan Abramovich/AFP)
(foto: Eitan Abramovich/AFP)

Com as atenções da opinião pública voltadas em boa parte para os desdobramentos dos escândalos de corrupção envolvendo o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, o Senado da Argentina tem marcada para hoje a sessão histórica que decidirá o destino do projeto de lei que legaliza a interrupção da gravidez até a 14; semana de gestação. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados, em junho, por 129 votos contra 124 ; resultado que surpreendeu os analistas ao final de uma votação que se estendeu pela madrugada.

Considerada bem mais conservadora, a Câmara Alta do Congresso apresentava até ontem uma tendência a rejeitar a proposta. As últimas projeções da imprensa apontavam 36 votos contrários e 31 favoráveis, entre os 72 senadores, com expectativa de uma abstenção e uma ausência ; restavam dois indecisos.

A despeito da atenção dedicada pela mídia ao cerco da Justiça contra a ex-presidente (que hoje é senadora), o último fim de semana foi marcado por uma grande manifestação antiaborto, convocada pela Igreja Católica, que exerce forte influência na sociedade. Desde segunda-feira, militantes de ambos os lados mantêm presença diária diante da sede do Legislativo.

Uma multidão deve se formar hoje em frente ao Congresso. De um lado, os ;verdes;, favoráveis ao projeto. Do outro, os ;celestes;, que se apresentam como ;defensores da vida;. A campanha pela legalização do aborto tem como carro-chefe o movimento feminista e os estudantes. Do outro lado, a Igreja, reforçada pela liderança do papa Francisco, um argentino.

Os ;verdes; receberam ontem um apoio de peso. A edição internacional do jornal americano The New York Times, que chega a 134 países, estampou em toda a contracapa um anúncio da Anistia Internacional, uma das principais organizações de direitos humanos do mundo. ;Complicações de abortos inseguros são a principal causa de morte materna na Argentina;, começa o texto. ;Em 8 de agosto, os senadores na Argentina podem mudar isso, se votarem a favor de uma lei que descriminalize o aborto.;

Outra manifestação importante veio da atriz americana Susan Sarandon, conhecida defensora de causas feministas. ;A criminalização do aborto não impede que as mulheres o reali-zem. Apenas as empurra para recorrer a lugares inseguros e clandestinos. Senadores argentinos: o mundo os está assistindo: deem às mulheres o direito de decidir!”, escreveu Sarandon em sua conta no Twitter.

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