Múltiplo e diverso

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A terceira edição do Transborda Brasília - Prêmio de Arte Contemporânea tem a missão de colocar artistas locais no cenário nacional e de traçar uma radiografia das inquietações desses profissionais

postado em 08/08/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


A produção de artes plásticas do Distrito Federal e do Entorno é variada e rica, ganha projeção nacional e está antenada com as reflexões da arte contemporânea internacional. No entanto, nem sempre tem inserção imediata no circuito brasileiro.

A ponte Rio-São Paulo continua proeminente quando se traça um mapa da presença de artistas de outros estados em grandes exposições, feiras e bienais.

Por isso, o Transborda Brasília ; Prêmio de Arte Contemporânea tem enorme importância na cena nacional.

Único prêmio a focar exclusivamente na produção da região do Distrito Federal, ele provoca uma dupla exposição: graças a um time de curadores de todo o país, insere artistas no cenário e fornece uma cartografia das preocupações dos artistas locais.

A terceira edição do prêmio chega à Caixa Cultural Brasília com um total de 12 artistas selecionados por uma comissão formada por Marília Panitz (DF), Guga Carvalho (PI), Clarissa Diniz (PE/RJ), Agnaldo Farias (SP) e Lisette Lagnado (SP).

Este ano, algumas modificações foram feitas em relação às edições de 2015 e 2016, nas quais a média de selecionados chegava a 20 nomes.

Pesquisa
Desta vez, haverá mais obras de cada participante. ;Antes, tinha uma coisa de a galeria ficar mais cheia e não era possível colocar muitos trabalhos do mesmo artista. Agora, com 12 artistas, há mais trabalhos, então podemos entender um pouco mais da pesquisa de cada um. Isso permite um panorama legal da produção deles;, explica Virgínia Manfrinato, uma das idealizadoras do Transborda, realizado com R$ 419 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e R$ 30 mil de patrocínio da Caixa.

Para Juliana Codevila, gerente da Caixa Cultural Brasília, a parceria tem um sentido especial para a instituição: ;É importante recebermos esse prêmio porque ele conversa muito com a proposta do nosso espaço, que é fomentar a cultura na cidade, democratizar e dar espaço para novos artistas, dar visibilidade. O prêmio é muito conceituado, o júri é composto por pessoas que têm muita credibilidade, então é um prêmio sério;.

As inscrições também passaram a ser unicamente em formato digital, o que aumentou em 40% o número de inscritos. Isso possibilitou um recorte diferente.

Segundo Virgínia, há mais jovens, um efeito positivo e celebrado pela comissão de seleção. No total, foram 197 inscritos e mil obras selecionadas, todas assinadas por artistas do Distrito Federal e de 22 cidades. Dos 12 escolhidos, três serão premiados ao final da exposição em cartaz na Caixa, no mesmo momento em que será lançado o catálogo, em 15 de setembro.

Processo
Para Virgínia, o mais interessante não é nem a premiação, e sim o processo de seleção. Como boa parte dos curadores vem de outros estados, o contato com o portfólio de artistas locais é também uma oportunidade de tornar visível o trabalho para influenciadores da arte contemporânea de todo o país.

;O tempo que o júri se debruça sobre o portfólio dos artistas se dedica a avaliar esses portfólios e conhecer esses trabalhos que estão sendo produzidos na cidade, é a grande vantagem e importância do prêmio;, garante Virgínia.

Os três premiados serão conhecidos em outubro, ao final da exposição, e terão direito a um prêmio de R$ 15 mil e a dois meses de acompanhamento crítico com a curadora Clarissa Diniz.

A intenção é que, ao final desse período, os artistas apresentem uma obra produzida a partir da troca com a curadora.

Além disso, os 12 selecionados para a exposição receberam um prêmio aquisição de R$ 5 mil para a produção dos trabalhos, que serão entregues à Secretaria de Cultura do DF. Eles também terão direito a uma conversa individual com os curadores.

;Cada curador recebe três artistas para conversar e essa conversa é livre;, aponta Virgínia. ;Os artistas levam o que quiserem, pode ser uma avaliação de portfólio, uma discussão sobre o trabalho que está em galeria. O conteúdo é proposto pelo artista, mas é um momento em que o curador pode se aprofundar um pouco na produção daquele artista, ter uma troca mais pessoal.;

Segundo Virgínia, questões políticas, relativas ao consumo e até mesmo preocupações pictóricas pautam os trabalhos selecionados, mas há uma variedade grande de temas discutidos nas obras.




Mostra dos artistas selecionados para o Transborda Brasília ; Prêmio de Arte Contemporânea 2018
Abertura hoje, às 19h, na Galeria Acervo da Caixa Cultural Brasília (SBS, quadra 4, lotes 3/4 ; Asa Sul, anexo à matriz da Caixa). Visitação até 9 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 21h.


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