Para além das fronteiras

Para além das fronteiras

Formado por um time de curadores de todo o país, os jurados do prêmio selecionaram 12 entre 197 artistas do Distrito Federal

postado em 08/08/2018 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)










Com o objetivo de fomentar e acompanhar o desenvolvimento e a produção da arte contemporânea do Distrito Federal, o Transborda Brasília reuniu uma equipe de jurados especialistas de todo o país para ter a missão de selecionar 12 artistas criativos que vão concorrer a um dos prêmios mais inovadores da arte de Brasília.

A edição deste ano recebeu 197 inscrições que apresentaram cerca de mil obras, 38% a mais em relação às edições anteriores, realizadas em 2015 e 2016.

O júri, formado por artistas, curadores e professores de artes, julgou 862 obras de 197 artistas que residem, produzem ou nasceram no Distrito Federal e/ou nas cidades do Entorno.

;O Transborda teve algumas mudanças. Acho que a principal delas foi nas inscrições, que agora são totalmente digitais, o que, possivelmente, foi a principal razão para o aumento de cerca de 40% no número de propostas que recebemos;, afirma Virgínia Manfrinato, idealizadora e produtora do prêmio.

Interesse
Entre os jurados, está o pesquisador de arte pela Universidade de São Paulo (USP) Guga Carvalho. Ele conta que o Transborda conseguiu trazer artistas de diferentes níveis de maturidade, alguns mais experientes e outros, mais jovens.

;Eu já fiz outros editais, então é realmente um percentual muito alto e, por algum motivo, o Transborda vem acertando e se legitimando com o interesse dos artistas, como um instrumento de inserção na cena. E isso demonstra interesse no prêmio, não necessariamente no dinheiro, mas na possibilidade de ver as obras sendo discutidas;, reflete sobre a quantidade de obras inscritas para o prêmio.

A curadora independente, moradora da cidade e mestre em arte contemporânea: teoria e história da arte, pela Universidade de Brasília (UnB), a jurada Marilia Panitz afirma que o prêmio é ;muito inteligente;, e que a ideia de chamar críticos e curadores do Brasil com um longo percurso para se deterem sobre produção do DF é de um acerto imenso.

Impressões
Durante a seleção, Marília disse ter sido surpreendida pela quantidade de trabalhos com um cunho de militância das minorias, e também pela quantidade de jovens entre os inscritos.

;Muitos dos artistas ainda estão experimentando a linguagem que eles desenvolverão com o tempo. Para nós, é muito interessante ver o rumo que está se desenhando essa produção de arte da capital;, destaca.

;Como a arte contemporânea é muito envolvida com o cotidiano e as questões do presente e como eu me coloco no mundo, então é natural que a arte fale sobre isso;, completa Guga Carvalho.

Entretanto, as obras que trabalham com alguma forma de narrativa foram particularmente especiais para Guga, que chama a atenção para o diálogo nas diferentes formas de interpretação.

;Há um certo desenrolar de um acontecimento que sucede o outro, com diferentes tempos de leitura. E há um diálogo entre elas;, explica o jurado.

A arte de Brasília, segundo Guga Carvalho, tem características de grande centro, e não se deixa levar pelo lugar-comum.

;É bom destacar que os artistas de Brasília não formam uma galera que quer ficar falando sobre a arquitetura e o urbanismo do Plano Piloto. Eles entendem que têm muitas coisas mais interessantes e é legal perceber que fogem desse clichê;, pondera Guga.




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