Reconhecimento e circulação

Reconhecimento e circulação

Pelo projeto criado há três anos, passaram grandes nomes das artes plásticas do DF que ganharam projeção nacional

postado em 08/08/2018 00:00
 (foto: Amanda Goes/Divulgação)
(foto: Amanda Goes/Divulgação)






Realizada em 2015, a primeira edição do Transborda Brasília passou longe da unanimidade quando se tratou de chegar a um consenso durante as primeiras reuniões dos curadores convidados para a comissão de seleção.

A falta de unanimidade nada tinha a ver com a qualidade dos mais de 500 dossiês serem analisados. Foram a diversidade e a excelência de propostas apresentadas pelos artistas que fizeram o júri ter dificuldade em decidir.

A variedade, ali, se apresentava como uma característica da produção do Distrito Federal e do Entorno. Foram, naquela edição, 20 selecionados, mesma quantidade de escolhidos no ano seguinte, durante a segunda edição.

Na lista, estavam alguns nomes consagrados da produção local, como Karina Dias, que ficou entre as três premiadas em 2015, mas boa parte deles eram jovens artistas com carreiras em desenvolvimento. Para eles, ganhar o prêmio serviu também como projeção no circuito de fora da cidade.

;O prêmio Transborda foi o primeiro que ganhei e posso dizer que foi um divisor na minha carreira;, conta Júlia Milward, premiada em 2015. ;Além do destaque dado ao meu trabalho, a viagem com Charles Watson, que também fazia parte do prêmio, me permitiu conhecer os ateliês de artistas que admirava, além do encontro com curadores e professores de destaque nas artes. Graças ao prêmio, fui indicada ao Pipa e galerias de fora de Brasília começaram a notar o meu trabalho.;

O mesmo ocorreu a Antônio Obá, vencedor do Transborda 2016 e que acabou finalista do prêmio Pipa no ano seguinte. A partir do acompanhamento crítico com a curadora Cristiana Tejo, que fazia parte da premiação, Karina Dias também criou uma exposição inteira.

São repercussões que a curadora Marília Panitz, integrante do júri desde o início, faz questão de ressaltar. ;Foi muito interessante porque, num primeiro momento, já virou um prêmio importante para Brasília;, garante.

;Conversando com o pessoal da cidade que está morando em São Paulo, todos falam muito no Transborda. Todos já participaram. E todos veem uma importância grande porque, como são curadores de vários lugares, isso faz com que eles conheçam e façam o trabalho circular.;

Novos olhares
A cada nova edição, o time de jurados é diferente. É uma maneira de garantir a pluralidade de olhares sobre as obras dos artistas. ;A gente se preocupa mesmo em fazer com que o júri seja de diferentes partes do Brasil para que esses trabalhos também sejam conhecidos por curadores que estão atuando em diferentes regiões;, explica Virgínia Manfrinato, idealizadora e realizadora do Transborda Brasília ; Prêmio de Arte Contemporânea.

;É uma forma de buscar um intercâmbio maior com as iniciativas que acontecem em outros estados;, acrescenta.

Marília Panitz e Agnaldo Farias são os únicos que permanecem desde as primeiras edições. A ideia de manter sempre alguém de Brasília na comissão surgiu como uma garantia de um olhar local, conhecedor da produção e das articulações dos artistas do DF.

;O que me entusiasma com esse prêmio é a estrutura dele. É essa coisa de você fazer um prêmio que junte a produção do DF e do Entorno e um júri de fora;, explica Marília.

De acordo com ela, também sempre tem alguém de Brasília, ;porque você tem que dar algumas informações para as pessoas que não conhecem a cena, ou conhecem com um olhar de fora. Percebemos, na primeira edição, que tinha realmente uma importância muito grande que tivesse alguém que pudesse situar as pessoas que viessem de fora.;

Esse olhar foi fundamental para Luísa Gunther, premiada em 2016 como integrante do coletivo DuplaPlus, formada com o marido, Ary Coelho. ;O Transborda teve impacto antes mesmo da premiação;, lembra.

O encontro com o curador Moacir dos Anjos e o acompanhamento crítico com Cristiana Tejo ajudaram o casal a definir o trabalho.

;A gente mal sabia que aquilo que fazíamos era fotodança. Sabíamos que tinha uma dimensão poética. E, depois da premiação, o fato de termos sido direcionados para a Cristiana Tejo deu uma visibilidade;, diz Luísa.

;A gente ficou numa certa evidência e nós começamos um processo de orientação crítica que foi a melhor parte. Muito mais que uma inscrição num circuito, essa possibilidade de diálogo e troca sincera com ouvidos atentos e cuidadosos, interessados nesses processos poéticos, foi muito importante;, lembra a artista.



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