Reflexo na atividade

Reflexo na atividade

postado em 20/08/2018 00:00
O investimento é o principal motor do crescimento econômico mais robusto e duradouro, avisam especialistas. Como o governo não tem fôlego para investir, porque as contas públicas estão desequilibradas, a desconfiança do investidor privado aumenta e ele também não investe. E isso reflete na taxa de investimento do país em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que está abaixo de 16% e é menor do que a das economias emergentes, conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI).

;O ideal para um processo de crescimento sustentável é uma taxa de investimento acima de 20% do PIB. Na China, é superior a 40% e na Índia, acima de 30%. Por isso, essas economias apresentam resultados impressionantes;, explica Otto Nogami, professor de Economia do Insper. Para ele, o governo perdeu a capacidade de investir e a recuperação do crescimento precisará vir da iniciativa privada. ;O novo governo precisará recuperar a confiança do investidor, fazendo reformas e equilibrando as contas públicas;, resume.

De acordo com Claudio Frischtak, presidente da InterB, a necessidade de investimento no país é grande, principalmente, em infraestrutura, onde ele não é suficiente para evitar a depreciação dos ativos. ;O mínimo necessário para evitar a depreciação da estrutura atual que é 2,3% do PIB e um levantamento da consultoria revela que a taxa atual é de 1,70% do PIB. Para sustentar um crescimento potencial do PIB de 4% ao ano é preciso uma taxa de investimento em torno de 22% e 23% do PIB, o que permitiria perfazer o investimento em infraestrutura em torno de 4%;, destaca. O especialista também admite que como o governo não tem capacidade para investir, o maior desafio será conseguir estimular o investimento privado. ;E, para isso, será necessário melhorar o ambiente de negócios e, principalmente, a segurança jurídica;, explica.

Fabio Klein, economista da Tendências Consultoria, destaca que existe uma correlação positiva entre PIB e investimento. ;Historicamente, para cada ponto percentual na taxa de investimento, o PIB cresce 0,18 ponto percentual. No entanto, essa correlação caiu para 0,12 ponto entre 1990 e 2017;, compara.

Especialistas reconhecem que, em 2018, os investimentos do governo estão crescendo levemente em relação ao ano passado, porque é um ano eleitoral. O economista Cláudio Hamilton dos Santos, técnico do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), reforça que, no ano que vem, a tendência é de queda. Contudo, ele admite que o nível de investimento no país ainda é muito baixo e, por isso, há um consenso de que o principal fator que vem segurando a retomada da economia atualmente é a incerteza. ;O fato é que as reformas esperadas pelo governo atual não foram feitas e a greve dos caminhoneiros e uma série de eventos associados também contribuíram para piorar o quadro;, lamenta. (RH)




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