Trump, Lula, os fatos...

Trump, Lula, os fatos...

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA
postado em 20/08/2018 00:00
Tão diferentes. E tão parecidos. Muito antes de Trump popularizar expressões como fato alternativo, verdade paralela, pós-verdade e fake news, Lula e petistas já abusavam do termo "golpista", no Brasil, para demonizar a imprensa e toda e qualquer informação que considerassem desfavorável aos interesses do líder ou do partido. A ofensiva ganhou força a partir do mensalão. E se intensificou, em escala geométrica, após a popularização das redes sociais, com ataques para tentar intimidar ou destruir reputações e desqualificar todo e qualquer meio de comunicação ou jornalista que não se mostrasse simpático às "causas" petistas.

Desde então, o universo paralelo abduzido pela "seita", expressão usada pelo ex-ministro Antonio Palocci para descrever a "militância" petista, tomou dimensões que desafiam o mundo real. Ultrapassou as fronteiras do surrealismo. Na sexta-feira passada, por exemplo, o Comitê de Direitos Humanos da ONU chegou ao absurdo de determinar que o Brasil deve não apenas aceitar a candidatura de um presidiário a presidente da República, precisa assegurar todos os meios para que ele faça campanha do local onde está detido. Nunca, na história da humanidade, a própria ONU e o Brasil passaram por situação tão vexatória.

Nos EUA, 380 jornais de 49 estados declararam guerra a Trump, que dia sim outro também abre fogo contra a mídia. Aqui, apesar de ataques e ameaças a jornalistas e de invasões a redações de emissoras de tevê, nunca houve reação semelhante. Pelo contrário, as "verdades paralelas" petistas até ganham ares de verdade em setores da mídia tradicional, como a tese estapafúrdia de que o impeachment de Dilma foi "golpe". Ou que Lula, em vez de político preso, é "preso político", algo que só poderia ocorrer se o Brasil estivesse sob regime autoritário.

Além de condenado em segunda instância a 12 anos de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex, Lula é réu em outras seis ações penais e alvo de duas denúncias. Sem contar que, até aqui, investigações da Lava-Jato o apontam como um dos principais suspeitos de liderar o megaesquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 40 bilhões da Petrobras. Ao longo do processo do triplex, acompanhado pela mídia do mundo inteiro, o petista teve amplo direito de defesa e contou com alguns dos mais renomados e caros advogados do país.

Inelegível pela Lei da Ficha Limpa, Lula comanda da prisão a artilharia aos juízes que o condenaram. Ataca também a mídia que noticia o que acontece, e não o que ele gostaria. Mas, ao contrário de Trump, vive sendo paparicado por jornalistas. Está convencido de que, muito antes do que determina a lei, o STF o tirará da cadeia e poderá disputar a eleição ou colocar nas urnas a própria imagem e eleger um novo poste. Para isso, pôs o Supremo numa sinuca: caso derrube a própria jurisprudência que autoriza a prisão em segunda instância, já referendada três vezes pelo plenário do tribunal, o STF estará declarando que ninguém pode ser considerado culpado nem preso até que se esgote o último recurso na mais alta corte de Justiça do país. É uma patacoada sem paralelo no mundo. Se estivesse em vigor, hoje, nenhum dos mais 700 mil presos no Brasil poderiam estar atrás das grades. Todos eles, claro, aguardam ansiosamente pela Lei Lula.

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