UnB tenta fechar o ano no azul

UnB tenta fechar o ano no azul

Com redução de despesas e aumento de receitas, universidade estima economia de R$ 50 milhões, recursos essenciais para diminuir deficit projetado em R$ 92,3 milhões no início do ano. Alunos e servidores, no entanto, sentem impactos na rotina acadêmica

» ISA STACCIARINI » MARIANA MACHADO ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 20/08/2018 00:00
 (foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press)


Mesmo sob protestos de parte da comunidade acadêmica, a Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) colocou em prática cortes e medidas para aumentar a arrecadação que começam a dar resultados. O deficit, inicialmente estimado R$ 92,3 milhões para este ano, deve ser minimizado ou mesmo zerar, de acordo com a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB, Denise Imbroisi. Até o momento, a instituição economizou R$ 50 milhões, dos quais metade já estão nos cofres da universidade.

A instituição ampliou a receita com recursos de projeto de pesquisa; aluguel de imóveis e repasse de verba (royalties) do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe); reduziu R$ 25 milhões nas despesas com contratos de empresas prestadoras de serviço; e deixou de gastar R$ 5 milhões com subsídio do Restaurante Universitário (RU).

Os impactos da situação orçamentária, no entanto, são sentidos diariamente. O segundo semestre começou na semana passada com redução das linhas de ônibus intercampi, menos estagiários e funcionários de áreas como limpeza e segurança e o aumento no valor das refeições do RU, implementado no fim do período letivo anterior. No âmbito nacional, veio a má notícia da possibilidade de corte de bolsas de mestrado e doutorado ano que vem.

Para 2019, a previsão é de que o orçamento de despesas discricionárias ; que incluem investimentos e manutenção ; diminua em R$ 3 milhões, e a possibilidade de mais cortes não é descartada. A decana reforça, porém, que a instituição batalha para ampliar os recursos vindos da Lei Orçamentária (leia Cinco perguntas para).

A UnB reduziu ainda R$ 4 milhões nos gastos com estagiários. Até 30 de maio, eram 914. Atualmente, há 275: um corte de quase 70%. Quanto aos servidores terceirizados, a instituição respondeu que a decisão sobre o corte ;é de competência das empresas prestadoras de serviços;. Hoje, trabalham na universidade 980. ;Foram demitidos metade dos terceirizados do ano passado para cá. Houve uma sobrecarga de trabalho muito grande em cima de quem ficou e o resultado são muitas reclamações dos trabalhadores;, afirma Maurício Sabino, coordenador-geral do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores da UnB (Sintfub).

Raphael Freitas, 40, trabalha como agente de portaria e conta que os funcionários estão preocupados com o risco de mais gente ser mandada embora. ;Se isso acontecer, a UnB não funciona mais. Está todo mundo sobrecarregado de funções.;




Insatisfação

O aumento nos preços do RU, que passou a vigorar em 12 de julho, incomoda. Antes, os alunos pagavam R$ 2,50 para café da manhã, almoço, ou jantar. Agora, o café custa R$ 2,80, enquanto almoço e a jantar ficaram a R$ 5,20, menos para aqueles em situação de vulnerabilidade. Servidores e funcionários terceirizados também pagam mais.

Alunos do 5; semestre do curso de engenharia da computação, Evandro Thales, 21, e Bernardo Ferreira, 20, afirmam que, com isso, o RU tem sido menos frequentado. Eles também reclamam da diminuição das linhas de ônibus intercampi, que fazem o trajeto entre Asa Norte, Gama, Planaltina e Ceilândia. ;Eram linhas que ajudavam bastante. Além disso, os cortes com pessoal de limpeza estão tendo reflexos. A gente nota a universidade mais suja do que no ano passado;, diz Bernardo.

Entre os professores, a maior preocupação é em relação aos bolsistas dos cursos de pós-graduação. Segundo o coordenador da pós do Departamento de Matemática, professor Carlos Alberto dos Santos, para 2018 a situação está sob controle, mas se, os cortes de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) ocorrerem em 2019, as pesquisas ficariam comprometidas.

;É possível que nem consigamos alunos para os programas de mestrado e doutorado do ano que vem. Boa parte vem de fora e sabe que Brasília é uma cidade cara. Sem a bolsa, eles vão procurar cidades com custo de vida menor;, pondera o professor. Segundo ele, cerca de 80% do programa funciona com os benefícios. ;Se os cortes forem feitos, as pesquisas devem diminuir drasticamente.;

Em nota conjunta com os ministérios da Educação e do Planejamento, Orçamento e Gestão, a Capes confirmou que não haverá suspensão do pagamento de bolsas. ;As equipes dos dois ministérios têm realizado frequentes reuniões para tratar do tema. A valorização da educação é uma das prioridades do governo federal;, informou.


Cinco perguntas


Denise Imbroisi, decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da Universidade de Brasília (UnB)

O que foi feito para controlar a crise orçamentária da UnB?
Com um conjunto de esforços, ampliamos a receita com recursos de projetos, aluguel dos imóveis da UnB e repasse dos valores chamados de bens-intangíveis (royalties) recebidos da OS (organização social) Cebraspe. Além disso, atuamos para reduzir despesas de contrato de prestação de serviços e fizemos uma contenção de despesas com a economia de água e energia. Outra iniciativa foi reduzir o subsídio do RU (Restaurante Universitário) de estudantes que não têm perfil de vulnerabilidade socioeconômica. Por meio dessas iniciativas, conseguimos melhorar o recurso disponível para ensino, pesquisa e extensão. Por enquanto, não há nenhuma medida adicional, mas continuamos trabalhando para terminar o semestre sem percalços.

O deficit orçamentário estava previsto em R$ 92 milhões.
Com as novas medidas adotadas, qual a nova previsão?
Com essas medidas, a expectativa é minimizar ou mesmo zerar o deficit em 2018. A UnB prevê R$ 50 milhões em aumento de receita, tendo já ingressado 50% desses recursos. A economia prevista é de cerca de R$ 25 milhões com contratos de empresas de prestação de serviços, R$ 4 milhões com estágios e R$ 5 milhões com redução dos subsídios do RU.

A respeito das bolsas da Capes, CNPq e Pibid, como a UnB
pretende lidar com o risco dos cortes no ano que vem?
O orçamento vai direto para pro

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