Brasília-DF

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por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 24/08/2018 00:00


Um padrinho pela metade

Os aliados de Marina Silva e de Ciro Gomes, os que mais lucram com a impugnação da candidatura de Lula, vão começar a bater na tecla de que o ex-presidente não só estará fora do páreo como não conseguirá transferir votos para Fernando Haddad. Tiram essa certeza do fato de Dilma Rousseff só ter chegado à Presidência porque Lula, à época bombando em popularidade, conduziu a petista país afora apresentando a então ministra da Casa Civil como a grande gestora, mãe do programa de aceleração do crescimento, a rainha do pré-sal. Ainda assim, Dilma foi ao segundo turno nas duas eleições. Venceu por pouco. Desta vez, com Lula preso, será muito mais difícil, ainda que os primeiros programas de tevê o coloquem como candidato.

Com Lula sem condições de levar a sua mensagem diária ao eleitor na fase mais aguda da campanha, a aposta do PDT e da Rede é de que o PT perca metade de sua força. O PDT de Ciro Gomes, por exemplo, acredita que o eleitorado hoje embarcado no projeto Lula tomará outro caminho quando perceber que o petista mantém a condição de presidiário, condenado em segunda instância. Ciro e Marina estão hoje na repescagem desses eleitores. E, não por acaso, os dois buscam polemizar com Jair Bolsonaro e derrubar a tese de que quem tem mais tempo de tevê vai para o segundo turno.

Imagem é tudo
Os emedebistas tiraram das gavetas a foto em que Michel Temer aparece de mãos dadas com Fernando Haddad (PT) em 2012, quando o petista disputou o segundo turno para prefeito de São Paulo contra José Serra (PSDB). A ordem ali é mostrar que Haddad rechaça o MDB, mas que já foram próximos. Para o PSDB, a lembrança também é boa. Afasta a ideia de que MDB e os tucanos sempre foram parceiros. Ao contrário: desde o governo FHC, vivem às turras.


Brasil virou terra de Murici...
Nesta eleição, o ditado alagoano tomou conta do país. Os candidatos a deputado federal, estadual, distrital e a senador estão em ;carreira solo;, muitas vezes desprezando seus companheiros de chapa. No DF, Luzia de Paula fez seu material em verde, a cor que era símbolo da campanha do ex-governador José Roberto Arruda. Não há qualquer menção ao governador candidato Rodrigo Rollemberg.


; Cada um por si
Em Minas Gerais, Rodrigo Garcia, candidato ao Senado pelo DEM, desconhece a candidatura de Geraldo Alckmin a presidente. Sabe como é, diante das incertezas, ninguém quer colar sua imagem a um candidato que corre o risco de não decolar.


A vida como ela é
A turma do candidato Jair Bolsonaro, do PSL, refez as contas e passou a considerar os debates das emissoras de tevê fundamentais para que o presidenciável possa ser mais visto no período eleitoral. A conta é a seguinte: quem tem apenas oito segundos na tevê e, praticamente, uma inserção a cada dois dias, não pode se dar o luxo
de ficar fora.

Pop star/ Podem falar o que quiserem de Sérgio Moro (foto), mas uma coisa é certa: o juiz tem legiões de fãs. Durante jantar antes do Simpósio dos Delegados da PF em Salvador, o juiz posou para fotos e selfies. Ter a atenção do juiz por mais de dois minutos, entretanto, foi privilégio de poucos.
Companheiros I/ Moro fez questão de cumprimentar pelo menos um policial mais efusivamente: o delegado aposentado Getúlio Bezerra, conhecido do magistrado por causa de operações em Curitiba. Ao ver o delegado de costas, Moro interrompeu a conversa com um grupo e se dirigiu ao policial. Conversaram durante pelo menos 10 minutos.

Companheiros II/ Getúlio foi escalado pela direção da Associação dos Delegados da Polícia Federal para entregar a medalha Tiradentes a Sérgio Moro.

Ali, ele já tem a força/ Bolsonaro aposta na proposta de posse de arma para ganhar votos no campo. Diante disso, tende a dispensar a participação na sabatina promovida pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), na próxima quarta-feira.

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