A ameaça da malária

A ameaça da malária

postado em 24/08/2018 00:00
Agora, é a malária que preocupa as autoridades de saúde brasileiras, após o surgimento de mais de uma centena de casos no Espírito Santo, o que confirma o surto da doença naquele estado, e de outros cinco casos suspeitos em Minas Gerais, em municípios limítrofes às terras capixabas. O alerta surge justamente depois de o país enfrentar uma epidemia de febre amarela que provocou a morte de inúmeras pessoas em vários pontos do Brasil, e em meio à incansável batalha contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chicungunha e zika, que tantos males vêm causando à população no decorrer dos anos.

Esforços não podem ser medidos para o enfrentamento da enfermidade em todas as regiões do país, por causa do alto índice de letalidade dos infectados fora das áreas de elevada incidência - estão localizadas nos estados do Pará, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Fora dessa região, são registrados apenas 1% dos casos em todo o território nacional, mas o índice de mortandade é 100 vezes maior do que o verificado nas localidades endêmicas.

Como Minas Gerais é considerado estado não endêmico, todas as atenções estão voltadas para os casos notificados nos municípios de Mantena, Conselheiro Pena e Galileia, localizados a poucos quilômetros das cidades capixabas de Vila Pavão e Barra de São Francisco, onde ocorreram as primeiras transmissões, confirmadas no mês passado. Os técnicos lembram que a malária é transmitida, principalmente, em espaços rurais onde há atividade econômica extrativa, e esse é o caso do Espírito Santo, onde acontece, atualmente, a colheita do café.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, até o último dia 15, foram registrados no Espírito Santo, somente neste ano, 127 casos de malária por Plasmodium falciparum, reconhecido como o tipo mais letal. Agentes de saúde pública foram deslocados para as áreas afetadas e estão fazendo diversas ações, como tratamento e diagnóstico supervisionado, borrifação de inseticidas em moradias e educação em saúde. As medidas de contenção do surto também incluem reforço na remessa de medicamentos e orientação das equipes municipais sobre as estratégias de controle da doença mais adequadas às necessidades locais.

Transmitida pela picada de mosquitos, a malária é uma enfermidade febril aguda que, se diagnosticada e tratada em até 48 horas do início dos primeiros sintomas, tem cura. Se não for tratado adequadamente, o infectado pode morrer. No Brasil, 99% dos casos são na Amazônia, mas outras regiões também têm locais com a presença do mosquito transmissor, onde pode ocorrer a reintrodução da malária e possíveis surtos a partir de um caso importado. Por isso, todo cuidado é pouco e a vigilância deve ser mantida mesmo em áreas sem transmissão, compromisso assumido pelos governos federal, estaduais e municipais. A velha malária deve ser combatida como uma nova ameaça.

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