Artilharia calibrada

Artilharia calibrada

Roberto fonseca robertofonseca.df@dabr.com.br
postado em 24/08/2018 00:00
Depois de uma semana de campanha na rua, com duas pesquisas eleitorais divulgadas, o cenário da corrida presidencial segue indefinido, deixando o mercado financeiro tenso sobre como será o desenrolar da disputa até o primeiro domingo de outubro. Há uma regra velada no comando das chapas dos principais candidatos de que o movimento das peças no tabuleiro das urnas ocorrerá somente quando começar o horário eleitoral gratuito, daqui a uma semana. Até lá, toda a artilharia será devidamente calibrada, de olho em eventual apoio no segundo turno.

Geraldo Alckmin, o candidato tucano, abriu o jogo, no entanto. Em visita a Gurupi, em Tocantins, o ex-governador de São Paulo tornou público o sentimento dos principais articuladores eleitorais, que acabou confirmado com a divulgação da última pesquisa do Datafolha: ;O que todo mundo quer é o (Jair) Bolsonaro no segundo turno, porque ele perde para qualquer um;.

Segundo o levantamento de intenções de voto, o deputado federal do PSL derrota apenas Fernando Haddad (PT) em um segundo turno ; ressalte-se, entretanto, que o ex-prefeito de São Paulo ainda é um nome bastante desconhecido do eleitorado, o que poderá ser bem diferente daqui a um mês, quando, até lá, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá batido o martelo sobre a situação jurídica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, onde cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão.

Bolsonaro, aliás, deu todos os sinais de que sentiu o golpe, no caso, o resultado da pesquisa. Sinalizou que não participará mais de debates, em que levou uma enquadrada de Marina Silva, e pretende focar a campanha na rua e nas mídias sociais. E é justamente nas redes sociais que a disputa eleitoral está quente ; e cada vez mais tensa. Facebook e WhatsApp registram cada vez mais discussões acaloradas, principalmente em grupos com grande quantidade de pessoas, como de entidades de classe, de universidades e de condomínios.

Uma das grandes preocupações é com o efeito das notícias falsas nesses grupos. Tanto que mais uma entidade entrou na campanha contra as fake news. O Comitê Gestor da Internet (CGI), responsável, entre outras coisas, por recomendar normas e padrões sobre a rede no Brasil, preparou um guia para o usuário, com seis regras básicas: desconfie de títulos bombásticos; pense antes de clicar; verifique as fontes; duvide da falta de referências; não compartilhe se não tiver certeza; e não se cale. Sabemos que identificar o que é verdade ou mentira nem sempre é uma tarefa fácil, mas, como diz, o ditado popular: ;Ande sempre com a pulga atrás da orelha;.

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