Imunidade a executivo

Imunidade a executivo

postado em 24/08/2018 00:00
 (foto: Thos Robinson/AFP - 9/6/05)
(foto: Thos Robinson/AFP - 9/6/05)

Amigo de Donald Trump e proprietário do National Enquirer ; tabloide que teria comprado os direitos de publicação sobre o suposto romance do presidente com duas mulheres ;, o empresário David Pecker recebeu imunidade por parte dos procuradores federais. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal, citando fontes anônimas. Pecker e Michael Cohen, ex-advogado de Trump, sabiam do pagamento à ex-atriz pornô Stormy Daniels e à ex-coelhinha da Playboy Karen McDougal. Tanto que o executivo forneceu aos investigadores detalhes desse repasse financeiro.

Na terça-feira, perante a Corte Federal, Cohen assumiu culpa em oito acusações: cinco de evasão fiscal, uma de falso testemunho a um banco e duas, de violações em financiamento de campanha. Em relação aos dois últimos delitos, Cohen implicou diretamente o republicano, ao afirmar que Trump ordenou o repasse e que o fez para influenciar as eleições de 2016. Documentos apresentados ao tribunal indicam que Pecker ofereceu à Trump ajuda para esmagar histórias prejudiciais à campanha do republicano.

Cooperação
Para Mitchell Epner, advogado da firma Rottenberg Lipman Rich P.C. (em Nova York) e ex-procurador federal assistente, o fato de Pecker ter obtido imunidade não sinaliza obstrução de Justiça por parte de Trump, mas uma inferência de que ele estaria cooperando com os investigadores. ;Quando o governo concede imunidade a uma pessoa (como Pecker), ela deve prestar depoimento, sob pena de enfrentar acusações de desacato civil e ficar sujeita a prisão ou a multas vultosas. Pode ter existido um acordo que levou à imunidade, mas o governo é passível de conseguir isso mesmo que a testemunha não concorde;, explicou ao Correio. ;Trump não terá poder para ajudar Pecker, caso ele se recuse a testemunhar, após receber a imunidade.;

Segundo a revista Vanity Fair, um amigo de Trump teria demonstrado surpresa com a provável decisão de Pecker de colaborar no caso Cohen, pois isso implicaria Trump em um crime federal: o uso ilícito de verbas de campanha. ;P... m..., eu pensava que Pecker seria o último a se entregar;, comentou. A publicação lembrou que, durante a corrida eleitoral de 2016, o executivo do National Enquirer forneceu apoio midiático a Trump, ao atacar seus adversários dentro do Partido Republicano e a candidata democrata Hillary Clinton. (RC)

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