Chance de melhorar as estratégias de prevenção

Chance de melhorar as estratégias de prevenção

postado em 24/08/2018 00:00
 (foto: Evaristo Sa/AFP - 17/2/16)
(foto: Evaristo Sa/AFP - 17/2/16)

Os resultados do mapeamento genético do surto de febre amarela podem ajudar a montar estratégias que possam evitar e combater novos episódios de proliferação da doença. ;Esse vírus afetou a humanidade por centenas de anos. Ele vem em ondas. Então, nunca podemos eliminá-lo completamente. O problema é que ainda não entendemos o suficiente sobre o comportamento complexo do vírus em populações de animais. Precisamos dessas informações para controlar futuros surtos ; para vacinar as pessoas certas, no lugar certo, na hora certa;, destaca Oliver Pybus, professor no Departamento de Zoologia na Universidade de Oxford e um dos autores do estudo.

Para Pedro Vasconcelos, medico virologista e pesquisador do Instituto Evandro Chagas, no Pará, os dados coletados e analisados poderão ser usados para refinar estratégias da saúde pública com o objetivo de combater a doença tropical. ;É um trabalho bem amplo, que verificou e restabeleceu o surto da febre amarela no Sudeste, um dos maiores do território brasileiro. São dados sólidos, que têm enorme potencial para serem utilizados no controle da doença e podem, sim, gerar mais eficiência se forem bem aplicados;, diz o especialista, que não participou do estudo.

Vasconcelos também ressalta como a pesquisa confirma a suspeita de um fator que pode ter contribuído para o surto recente. ;Desconfiávamos de que a falta de vacinação nessas áreas de risco seria um fator importante, e vemos isso novamente com esses dados, reforçando esse ponto. Acredito que isso nos diz que é necessário ter um extremo cuidado com a cobertura vacinal. Ela pode fazer a diferença;, ressalta. (VS)



Palavra de especialista

Mapeamento com vacinação

;Tem havido pouca modelação de surtos de febre amarela porque uma quantidade pequena de casos isolados está disponível para estudo e nós, infelizmente, temos apenas confiado nas estratégias de vacinação. Esse estudo demonstra o potencial de mapeamento da incidência viral e seu valor na contribuição de estratégias de combate a essa enfermidade. Assusta-nos ver aumentos na incidência de casos de febre amarela e que eles estão ocorrendo em áreas que haviam sido consideradas livres da doença. Acredito que, se for bem planejado, o uso desse tipo de mapeamento com a vacinação, que poderá ser apropriadamente distribuída por meio dessas observações, poderia acabar como as epidemias de febre amarela até 2026.;

Alan Barret, epidemiologista e professor da Universidade do Texas (EUA), em artigo opinativo publicado na revista Science

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