Exame nos olhos pode revelar risco de Alzheimer

Exame nos olhos pode revelar risco de Alzheimer

postado em 24/08/2018 00:00
 (foto: Reinhard Krause/Reuters - 5/3/10)
(foto: Reinhard Krause/Reuters - 5/3/10)


Um exame oftalmológico simples poderá ser usado para o diagnóstico do Alzheimer antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas da doença. É o que planejam pesquisadores americanos, embasados pelos resultados de um experimento conduzido com 30 voluntários e detalhado na última edição do Journal of the American Medical Association Opthalmology. ;A técnica tem um grande potencial para se converter em uma ferramenta de detecção que ajude a decidir quem deve se submeter a testes mais custosos e invasivos para o mal de Alzheimer;, diz Bliss E. O;Bryhim, médica residente no Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade de Washington, em St. Louis, e principal autora do artigo.

A tecnologia chama-se angiografia por tomografia de coerência ótica e é muito usada por médicos para iluminar os olhos, ajudando o profissional a analisar a grossura da retina e o nervo ótico. O;Bryhim explica que a retina e o sistema nervoso central estão interconectados. Dessa forma, mudanças no cérebro podem se refletir nas células da membrana ocular. Os participantes do estudo, todos com mais de 70 anos e sem sintomas visíveis de Alzheimer, foram submetidos ao escaneamento PET ou à análise do líquido espinhal. Quase a metade deles apresentou níveis elevados de amiloide ou tau, proteínas ligadas ao Alzheimer.

Nesse mesmo grupo, os pesquisadores detectaram um afinamento da retina, complicação também notada, em estudos anteriores, em necrópsias de pessoas que morreram em decorrência do Alzheimer. ;Todos temos uma pequena área desprovida de vasos sanguíneos no centro da retina, que é responsável pela nossa visão mais precisa. Descobrimos que essa zona que carecia de vasos se ampliou significativamente em pessoas com Alzheimer pré-clínico;, detalha Rajendra Apte, um dos pesquisadores e professor de oftalmologia e ciências visuais da universidade americana.

O estudo, porém, não mostrou se os participantes com retinas mais finas desenvolveram Alzheimer. Por essa razão, Doug Brown, diretor de política e pesquisa da Sociedade Americana de Alzheimer, é cauteloso com relação aos resultados da pesquisa. ;Para tirar conclusões firmes, precisamos ver se isso seria levado à frente em um grupo muito maior e durante um período mais longo;, justifica, ressaltando, em seguida, que a possibilidade proposta pelos pesquisadores é fascinante.


Também para o Parkinson

Na semana passada, cientistas coreanos revelaram que uma análise da retina também pode ser usada para descobrir os primeiros sinais de Parkinson. Pesquisadores da Universidade de Seul observaram que o afinamento da membrana ocular está ligado à perda da dopamina ; substância que ajuda a controlar os movimentos do corpo.

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