Dólar alto ameaça acordo do diesel

Dólar alto ameaça acordo do diesel

» Bruno Santa Rita*
postado em 30/08/2018 00:00

A alta do dólar neste mês ameaça o acordo firmado pelo governo com os caminhoneiros para o fim da greve em maio. O subsídio de R$ 0,30 para manter o valor do diesel inalterado já não é suficiente para compensar refinarias e importadores pelo congelamento no preço. Mesmo fechando ontem em queda de 0,51%, cotado a R$ 4,119, no mês a divisa dos Estados Unidos acumula alta de mais de 10%.

Por conta dessa valorização, os consumidores devem se preparar também para novos aumentos da gasolina na bomba. ;Como o Brasil não é autossuficiente na produção de combustíveis, é obrigado a importar, e o desembolso em real aumenta quando o dólar está mais alto;, explicou o diretor da corretora Miare Assent Pablo Spyer.

O diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Décio Oddone lembra que a política de preços da Petrobras determina que os preços variam conforme o mercado internacional. Podem subir ou baixar de acordo com a cotação do dólar e do petróleo no exterior. Por esse motivo, segundo especialistas, o valor pago pelo governo para manter o preço do diesel está defasado.

Spyer afirma que, mesmo que o subsídio seja mantido para garantir combustível mais baixo para caminhoneiros, não vale para compra de diversos setores importantes, como o de energia. ;As termelétricas também funcionam a diesel. Isso deve encarecer a eletricidade também. Esse é o efeito inflacionário do dólar;, disse.

Terminou sem acordo a reunião promovida pela Advocacia-Geral da União (AGU) com 151 transportadoras multadas durante a greve dos caminhoneiros. O encontro tinha como objetivo negociar a assinatura de um compromisso para que as empresas impeçam a obstrução de rodovias.

Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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