As promessas para o trânsito

As promessas para o trânsito

Adriana Bernardes Adriana Bernardes.df@dabr.com.br
postado em 30/08/2018 00:00
Ouvir as propostas dos candidatos ao Buriti para a área de trânsito e transportes para o Distrito Federal é desolador. De promessas impossíveis de serem cumpridas a outras de uma irresponsabilidade inominável, tem de tudo! A sensação que se tem é a de que eles nem sequer se deram ao trabalho de pedir aos seus assessores uma pesquisa básica na rede ; o ideal seria uma roda de conversa com pesquisadores especialistas em mobilidade urbana ; sobre quais projetos no Brasil e no mundo têm contribuído para tornar as cidades mais acessíveis e seguras para a população em seus deslocamentos.

No mundo, há vários exemplos de como os governos estão vencendo a guerra que deixa milhares de corpos diariamente no asfalto. Educação para o trânsito desde a infância nas escolas, como ocorre na Holanda. Redução da velocidade das pistas, como têm feito Londres (Inglaterra) e Nova York (EUA). Investimento em transporte público e ampliação das ciclovias, a exemplo do que ocorre na Holanda e na Colômbia. Leis severas para punir os infratores aliada a uma fiscalização forte.

Também é possível encontrar inspiração nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2030. A estratégia 11.2 prevê o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos. Isso deve se dar por meio da melhoria da segurança rodoviária com a expansão dos transportes públicos, com especial atenção para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos.

No Brasil, o Ministério da Saúde coordena o programa Vida no Trânsito, com projetos bem sucedidos em Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Curitiba (PR) Palmas (TO) e Teresina (PI). É verdade que mesmo nas cidades do projeto piloto, os resultados poderiam ser muito melhores e muito mais vidas teriam sido salvas se o tema fosse prioridade tanto para o governo federal, quanto para os governos locais.

Mas no Brasil a segurança viária ainda é tema de segunda, terceira categoria. Faltam investimentos e continuidade dos projetos. Falta nos políticos uma preocupação genuína com as vítimas de acidentes e os familiares que sobrevivem no luto. Muitos gestores públicos são incapazes se de colocar no lugar do outro.

Voltando aos candidatos ao Governo do Distrito Federal, talvez lhes falte experimentar a cidade como a maioria dos cidadãos o fazem diariamente nos seus deslocamentos: em ônibus sujos e lotados, em paradas sem proteção contra o sol e a chuva e sem qualquer informações sobre a linha e horário. Caminhando em pedaços de concreto que não podem ser chamados de calçada; pedalando lado a lado de condutores que se acham os donos da via e ameaçam os ciclistas. Falta a eles observar o cadeirante, o cego e o idoso no ir e vir e perceber que é obrigação do poder público garantir deslocamentos seguros.

No mais, é torcer para que até 1; de janeiro de 2019, o vencedor do pleito seja capaz de enxergar a mobilidade urbana sob um aspecto mais abrangente. E se cerque de uma equipe que tenha a competência e o compromisso de criar um ambiente mais seguro na circulação viária.

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