Aiatolá ameaça romper acordo

Aiatolá ameaça romper acordo

postado em 30/08/2018 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)

Em meio a uma queda de braço com os Estados Unidos e disputas políticas internas, o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, advertiu ontem que o país está disposto a abandonar o pacto nuclear firmado com as grandes potências em 2015, caso entendam que o acordo deixou de ser benéfico. ;Naturalmente, se chegarmos à conclusão de que não preserva mais os nossos interesses nacionais, renunciaremos a ele;, afirmou Khamenei, em declaração publicada em seu site oficial.

Em maio passado, o presidente Donald Trump decidiu retirar o país do trato e, em seguida, anunciou o restabelecimento das sanções contra Teerã. Tempos depois, Washington propôs novas negociações sobre a questão nuclear, o que foi recusado pelos iranianos. ;(Os Estados Unidos) querem que acreditem que podem levar qualquer um, até mesmo a República Islâmica, à mesa de negociações. Mas como eu já disse (...) não acontecerá nenhuma negociação;, declarou, em meio a uma crise que ameaça mesmo a permanência do presidente Hassan Rouhani no cargo.

O governo americano adotou a primeira série de sanções contra o Irã e prevê uma nova rodada para novembro, quando devem ser impostas medidas punitivas, em especial, contra o importante setor de energia da economia iraniana. Além disso, Teerã não deposita esperanças na possibilidade de os governos dos países europeus salvarem o acordo.

Com a volta das sanções, Teerã denunciou o ;estrangulamento; de sua economia por Washington e solicitou medidas à Corte Internacional de Justiça (CIJ). ;O tempo é curto para a República Islâmica do Irã;, declarou ontem o representante iraniano Mohsen Mohebi aos juízes da suprema corte em Haia. ;Milhões de pessoas que vivem no país já sofrem profundamente as sanções restabelecidas pelos Estados Unidos;, acrescentou.

Renúncias
O fato é que a situação criou uma crise política interna. Os adversários do governo iraniano no parlamento aumentaram a pressão e obtiveram a renúncia dos ministros do Trabalho e da Economia. Os da Educação e da Indústria podem cair nos próximos dias. O Legislativo, que há dois dias formulou perguntas difíceis ao presidente Hassan Rouhani, pode, em teoria, deliberar sobre sua demissão.

No momento, Rouhani tem o apoio de Khamenei, que disse que tirá-lo do cargo seria o mesmo que ;cair no jogo do inimigo;. O guia supremo procurou atenuar a situação e assegurou que o tumulto político é um sinal da vitalidade democrática do país. E conclamou todos os setores políticos a trabalharem ;dia e noite; para resolver os problemas econômicos.

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