Outra baixa na Casa Branca

Outra baixa na Casa Branca

Pelo Twitter, Donald Trump anuncia a saída do conselheiro jurídico da Presidência,Don McGahn, e surpreende o próprio auxiliar, que testemunhou sobre a interferência russa na eleição de 2016

postado em 30/08/2018 00:00
 (foto: Mark Wilson/AFP)
(foto: Mark Wilson/AFP)

Mais um alto funcionário que foi ouvido na investigação especial do Departamento de Justiça sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos está deixando a equipe de Donald Trump, segundo ele próprio comunicou pelo Twitter ; como de hábito. ;O conselheiro jurídico da Casa Branca, Don McGahn, deixará seu posto no outono (a partir de outubro, nos Estados Unidos), logo após a confirmação (eu espero) do juiz Brett Kavanaugh à Suprema Corte;, escreveu o presidente. O anúncio surpreendeu o próprio McGahn, que, segundo pessoas próximas, pensava em se afastar, mas não teria discutido o assunto com Trump. A notícia coincide com informações da imprensa americana segundo as quais o chefe do Departamento de Justiça, Jeff Sessions, também estaria na mira do presidente, insatisfeito com o prolongamento do inquérito sobre a ;conexão russa;, a cargo do procurador especial Robert Mueller.

;Trabalhei com Don durante muito tempo e gostei muito do seu trabalho;, acrescentou o presidente, sem dar indicações sobre as razões da saída do auxiliar ou sobre a escolha do substituto. Duas semanas atrás, o jornal The New York Times revelou que McGahn teria ;cooperado amplamente; com a equipe de Mueller no âmbito das investigações sobre um possível conluio entre a campanha do então candidato republicano à Presidência e os agentes do Kremlin envolvidos em operações destinadas a atingir a rival democrata, Hillary Clinton. Trump não escondeu sua contrariedade com a reportagem do Times e reafirmou que não tem ;nada a esconder; sobre o caso. ;Eu autorizei McGahn e todos os demais a testemunharem (na investigação);, afirmou.

Mês ruim
A anunciada partida do conselheiro jurídico, que funcionou como elo entre a Casa Branca e o Departamento de Justiça, marca os últimos dias de um mês especialmente desfavorável ao presidente na questão da ;conexão russa;. No início do mês, o ex-diretor da campanha presidencial de 2016 Paul Manafort tornou-se o primeiro condenado em decorrência do inquérito de Mueller, que o acusou de fraude bancária e fiscal. Em seguida, o ex-advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, declarou-se culpado, em outro processo, de fraude fiscal e bancária e de violação das leis eleitorais. Acusado de ter feito pagamentos, em nome do cliente, para comprar o silêncio de duas mulheres que alegam ter tido relações extraconjugais com o atual mandatário, Cohen se manifestou ;mais do que disposto; a colaborar nas investigações de Mueller.

Embora mantivessem relações próximas no início do governo, Trump e McGahn se distanciaram em decorrência de outro desdobramento da ;conexão russa;. Por ter sido um dos primeiros congressistas republicanos a endossar a candidatura do magnata, ainda na fase da disputa interna partidária, Sessions declarou-se impedido de supervisionar as investigações de Mueller ; como seria da atribuição do cargo. A pedido do presidente, o conselheiro jurídico da Casa Branca tentou em vão convencer Sessions a mudar de ideia. Desde então, a imprensa americana mencionou repetidamente o desagrado de Trump com o secretário de Justiça e sua inclinação a demiti-lo.


"Trabalhei com Don durante muito tempo e gostei muito do seu trabalho;
Donald Trump, presidente dos EUA

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