Assuntos tabus

Assuntos tabus

postado em 30/08/2018 00:00
 (foto: E3 Fotografia/Divulgação)
(foto: E3 Fotografia/Divulgação)


O longa Yonlu, que está entre os brasileiros com chance de representar o Brasil no Oscar, retrata a história de um jovem que tirou a própria vida em 2006 com ajuda de fóruns on-line. O filme amplia a discussão sobre saúde mental e o uso indiscriminado da internet.

O caso de Vinicius Gageiro Marques, mais lembrado pelo pseudônimo Yoñlu, que dá título ao filme, chamou a atenção sobretudo por ser a primeira vez, no Brasil, que se tem notícia de suicídio incentivado e acompanhado por internautas. Em fóruns on-line, perfis de diversas partes do mundo, em meio a ofensas e a alguns pedidos de ;pare;, davam dicas ao garoto do que fazer para se matar.

No filme, o personagem é vivido pelo ator Thalles Cabral. ;Tentei entender as motivações dele, o que acontecia com ele a cada cena;, revela, salientando o respeito pelo assunto. ;Eu tinha essa responsabilidade de tentar fazer o melhor, sem qualquer tipo de julgamento;, completa em entrevista ao Correio.



Encarregando-se da difícil tarefa de abordar suicídio no cinema, o cineasta gaúcho Hique Montanari, que é o diretor e roteirista da fita, conta que buscou falar com ;sensibilidade e responsabilidade;. Ele diz que o assunto não deve se encerrar em especialistas de saúde mental. ;Vamos e devemos falar sobre suicídio, seja no cinema, seja dentro de casa;, completa. Segundo Hique Montanari, o filme ;joga luz sobre o assunto depressão. Proporciona esse debate, apesar de nunca levantar essa bandeira. É mais uma reflexão que promove;.

Depressão também é o tema abordado no filme Fica mais escuro antes do amanhecer. A história acompanha o casal Iran, papel vivido por Thiago Luciano (que também é o diretor), e Lara (Lucy Ramos), que enfrenta a tristeza após a morte do filho em meio a um mundo prestes a acabar.

;Quais são as consequências da perda de um filho na vida de um casal? Essa é a pergunta que move o filme. Ele mergulha no dia a dia de um povoado atemporal, que sofre com as mudanças climáticas extremas e está fadado a presenciar o último pôr do sol antes de o mundo entrar em um período de escuridão total. Lara, minha personagem, está passando por um momento difícil. Ao lado do marido, Iran (Thiago Luciano), estão tentando superar essa perda;, conta a atriz ao Correio.



Sobre trazer questões de saúde mental para a tela, Lucy afirma: ;É necessário falar sobre esse mal do século, a depressão, e também sobre a perda. Temas que nos afetam de uma maneira profunda. Não se fala muito sobre eles, por conta do desconforto, da tristeza que eles trazem. No filme, essa depressão parte da perda de um ente querido, e é contada de uma forma artística, que toca a alma. A perda em diferentes tons;.

História roqueira

As lembranças do cineasta Rafael Terpins ao lado do tio Tico Terpins, integrante da banda de rock dos anos 1970 Joelho de Porco, morto em 1998, deram origem ao documentário Meu tio e o Joelho de Porco. ;Um documentário sobre o Tico é um desejo antigo. Mas, mais que uma homenagem, quis utilizar o creme da obra dele para contar sua própria história, extirpar o cerne das letras maravilhosamente sarcásticas e organizá-las de um jeito que desenhassem a trajetória da banda;, explica. ;Essa vontade começou a ganhar forma de urgência principalmente depois da morte do Zé Rodrix (um dos integrantes da banda);, completa.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira







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